COP27: Cimeira abriu com a promessa de alcançar “ação multilateral coletiva”

Conferência começa no Egito quando se multiplicam avisos de catástrofe.

A Cimeira do Clima COP27 foi hoje formalmente inaugurada, no Egito, com a eleição do novo presidente, o ministro egípcio Sameh Shukri, que prometeu que o encontro será “um ponto de viragem na concretização da ação multilateral coletiva”.

Perante os delegados das mais de 190 entidades que fazem parte deste encontro, promovido pelas Nações Unidas, para enfrentar a crise provocada pelas alterações climáticas, Shukri afirmou que este encontro não cessará os esforços para obter resultados tangíveis, pois “é tempo de passar da fase de negociação para a de implementação dos compromissos”, avançou a agência noticiosa EFE.

 

COP27: Conferência começa no Egito quando se multiplicam avisos de catástrofe

Representantes de quase 200 países estão a partir de hoje reunidos em Sharm el-Sheik, no Egito, para debater as alterações climáticas e a luta contra o aquecimento global, quando se multiplicam os avisos de catástrofe.

Naquela que é a 27.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP27), que encerra no dia 18, esperam-se mais de 35 mil participantes, com 2.000 intervenções marcadas sobre mais de 300 tópicos.

Uma das intervenções será a do primeiro-ministro português, António Costa, que chega hoje a Sharm el-Sheik e que estará na COP27 na segunda e na terça-feira, onde vai defender uma transição mais inclusiva e uma repartição mais equilibrada do financiamento climático, segundo fonte diplomática.

Na conferência no Egito não são esperados muitos líderes mundiais, estando no entanto anunciada a presença do Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e do primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, que inicialmente disse não estar presente, mas que há quatro dias revelou que irá a Sharm el-Sheik. A última conferência, COP26, realizou-se no Reino Unido.

A COP27, que marca o 30.º aniversário da adoção da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla original) mantém basicamente os mesmos objetivos de outras cimeiras desde 2015, quando foi assinado o Acordo de Paris, de limitar o aquecimento global a 02ºC (graus celsius) e se possível a 1,5ºC. Mas acontece no meio de uma crise política, energética, alimentar e económica provocada pela invasão da Ucrânia pela Rússia.

A própria ONU reconhece que essa situação pode levar a um retrocesso nas promessas e compromissos que alguns países fizeram no passado. Mas também diz que pode ser um despertar para que as nações se tornem autossuficientes em energia, sendo as energias renováveis a maneira mais barata de o fazer.

Na quinta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que o planeta está a caminho de “atingir pontos de inflexão que tornarão o caos climático irreversível”, e pediu mais ambição para a COP27.

“As emissões ainda estão a crescer em níveis recordes. (…) Enquanto isso, as temperaturas estão a caminho de aumentar até 2,8 graus até ao final do século. E isso significa que o nosso planeta (…) sufocará para sempre num aumento catastrófico de temperatura” alertou.

É por isso que a organização da COP27 pede que os países revejam as suas contribuições de redução de gases com efeito de estufa, e que invistam também na mitigação, adaptação e apoio a países menos desenvolvidos.

E diz que são essenciais “progressos significativos na questão crucial do financiamento climático”. Em destaque na conferência estará a questão das perdas e danos, que consiste em ressarcir países pelas catástrofes causadas pelas alterações climáticas, que afetam sobretudo os países mais pobres.

Um relatório da ONU divulgado na quinta-feira indicava que a lacuna entre os fundos alocados para reduzir a exposição dos países em desenvolvimento aos impactos do aquecimento global “continua a aumentar” e as necessidades reais são cada vez maiores.

Além das “grandes questões a presidência egípcia da COP27 programou dias temáticos e eventos paralelos, dedicados a temas como finanças, ciência, juventude, descarbonização, perda de biodiversidade, água, agricultura, água ou energia.

 

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