Coreia do Norte e Coreia do Sul podem assinar o fim da guerra

Quase 70 anos depois do fim efetivo do conflito, a assinatura da paz não apenas uma formalidade para contentar historiadores: pode ser o início de um relacionamento mais abrangente entre os dois lados da península.

Oficiosamente, a guerra da Coreia – entre a do Norte, apoiada pela China e pela União Soviética, e a do Sul, apoiada pelos Estados Unidos – deu-se entre junho de 1950 e julho de 1953, mas, oficialmente, as duas partes nunca chegaram a assinar nenhum documento internacionalmente que acabasse com o conflito. Agora, talvez como forma de comemorar os 70 anos do fim do conflito na prática, os dois países estão em conversações com vista à assinatura de um acordo de cessar-fogo.

Segundo as agências noticiosas, China e Estados Unidos concordaram “em princípio” em declarar o fim formal da guerra da Coreia, quase 70 anos depois de o conflito terminar numa trégua instável, disse o presidente sul-coreano, Moon Jae-in. Fica por esclarecer em que quadro é que as duas potências serão chamadas a dar o seu acordo a uma formalidade que só interessa às duas Coreias, mas a geopolítica tem destas coisas – mas o facto de os dois países que mais têm subido o tom de confrontação recíproca desde o fim da URSS confluírem neste ponto parece ser suficiente para os analistas aplaudirem a decisão.

Moon disse acreditar que as quatro partes envolvidas concordaram em princípio com uma declaração de paz, mas acrescentou que a Coreia do Norte fez do fim da hostilidade dos Estados Unidos para com o lado norte do paralelo 32 uma pré-condição para as negociações.

“Por causa disso, não podemos sentar-nos para negociar as declarações entre a Coreia do Sul e do Norte e entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos”, disse Moon. “Esperamos que as conversas sejam iniciadas. Estamos a fazer esforços para isso”.

O presidente sul-coreano disse acreditar que é importante acabar com o armistício “instável” que existe há quase sete décadas, acrescentando que uma declaração de paz pode melhorar as perspetivas de uma travagem no programa de armamento nuclear de Pyongyang, capital da Coreia do Norte. “Isso vai ajudar-nos a iniciar negociações para desnuclearização e paz na península coreana”, disse.

Horas depois, o ministro sul-coreano da Unificação, Lee In-young, disse que o processo pode ser ”um ponto de partida para uma nova fase de paz” e exortou a Coreia do Norte a aceitar a oferta de Seul para o diálogo.

“A Coreia do Norte tem-se mostrado mais aberta ao diálogo do que antes”, disse Lee.

A guerra da Coreia terminou em julho de 1953 com um armistício, mas não com um tratado de paz, o que significa que o Norte e o Sul ainda estão tecnicamente em guerra. A guerra foi mais que um acontecimento puramente regional. Desde logo porque permitiu perceber que a paz entre as potências que quatro anos antes tinham ganho a II Guerra Mundial duraria pouco.

Por esta razão, Estaline, que ainda se encontrava vivo, foi muito pouco sensível aos apelos de Kim Il-sung, que havia estudado em Moscovo, para uma aposta soviética num confronto onde, do outro lado, estavam os Estados Unidos. Moscovo ainda não se tinha refeito do esforço de guerra, e a China, onde Mao Tsé-Tung mandava desde 1949, foi usada como uma espécie de ponta de lança.

Mas a guerra da Coreia foi importante também no que se refere ao afastamento entre a URSS e a China, que se efetivaria mais de uma década mais tarde. Para fazer face ao esforço de guerra, Mao insistiu por todos os meios com Estaline para que a China pudesse passar a contar com armamento atómico, ú nica forma, dizia, de combater com eficácia o exército norte-americano. Estaline nunca lhe disse que não, mas envolveu a questão numa burocracia de tal ordem, que o líder chinês acabou por nunca conseguir importar a tecnologia soviética que lhe permitiria produzir a bomba atómica – e uma parte da ‘zanga’ entre as duas maiores potências comunistas de então deu-se em larga escala por causa de efeito colateral da Guerra da Coreia.

Muito anos mais tarde, os Estados Unidos produziram um muito mediatizado encontro entre o neto do fundador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e o então presidente norte-americano, Donald Trump – que, por causa disso, ‘arriscou’ ganhar um Nobel da Paz. Uma das ideias subjacentes era precisamente a assinatura da paz, mas Trump acabou por desinteressar-se do assunto e esquecer o jovem chefe de estado.

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