Coreia do Sul testa alternativa diplomática aos Estados Unidos

China e Rússia podem ser um apoio ao desanuviamento com a Coreia do Norte bem mais importante que aquele que é neste momento fornecido pela Casa Branca.

Ahn Young-joon/REUTERS

As autoridades sul-coreanas estão a preparar uma nova abordagem na gestão do dossiê das ameaças crescentes da Coreia do Norte através de uma aproximação diplomática com a China e com a Rússia – até agora mais ou menos bloqueadas por causa da cooperação estreita entre Seul e Washington. A ideia do presidente sul-coreano, o democrata Moon Jae-in, é abrir outros espaços de diplomacia com países que mantém relações com a Coreia do Norte – numa altura em que o diálogo entre o país vizinho e os Estados Unidos está completamente bloqueado.

“Dada a tensão no nordeste da Ásia causada pelo lançamento de mísseis norte-coreanos [o último foi a 29 de novembro], a diplomacia com a China e a Rússia é mais importante do que nunca”, afirmou o líder do Partido Democrata no Seul, Choo Mi-ae, no poder. A nova estratégia parece ter por base declarações do assistente político da ONU, Jeffrey Feltman, que depois de visitar Pyongyang na semana passada destacou a “necessidade urgente de se evitarem erros de apreciação e de abrir canais para reduzir os riscos de um conflito”.

Moon Jae-in vai reunir-se amanhã com o presidente chinês, Xi Jinping, depois de hoje estar em Moscovo. A viagem do presidente sul-coreano é a sua primeira visita de Estado à China, embora seja a terceira reunião bilateral entre os dois governos, e coincide com o 25º aniversário do início das relações bilaterais entre os dois países.

Esta será uma oportunidade não apenas para os dois países discutirem a questão da Coreia do Norte, mas também, possivelmente, para tratarem do assunto do THAAD, o sistema antimíssil norte-americano que a Coreia do Sul aceitou no seu território e que Pequim considera uma ameaça à sua segurança. Quando o sistema foi instalado, Pequim retaliou, dificultando o trabalho de empresas sul-coreanas instaladas na China e travando o turismo chinês para aquele país, entre outras medidas.

Por trás desta questão está o dossiê mais abrangente do relacionamento entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos – onde entra também o Japão, forte aliado dos norte-americanos na região e igualmente um alvo potencial para a deriva belicista de Pyongyang. Desde o início da crise dos mísseis que a China se tem mostrado muito reticente em relação ao aprofundamento das relações entre este trio. Para Pequim, o triunvirato é uma ameaça à segurança das suas fonteiras e Xi Jinping foi claro ao afirmar, por mais que uma vez, que o aumento das manobras militares entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos como resposta ao lançamento dos mísseis norte-coreanos é contraproducente e só serve para aumentar a pressão.

Depois de 29 de novembro, Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul juntaram mais de 12 mil militares num exercício que pretendia recriar um ataque às instalações nucleares e militares norte-coreanas, o que fez com que Pyongyang falasse num mundo “à beira da guerra nuclear” e a China e a Rússia criticassem duramente Washington.

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