COSEC alerta que onze países enfrentam “risco elevado” de entrarem numa crise alimentar

A lista é composta por: Sri Lanka, Argélia, Bósnia-Herzegovina, Egipto, Jordânia, Líbano, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Tunísia e Turquia.

Carlos Garcia Rawlins/REUTERS

Quatro meses após o início da invasão russa à vizinha Ucrânia, as consequências económicas alastraram-se à maioria das economias a nível mundial, fruto das sanções impostas a Moscovo, mas também devido ao próprio conflito em solo ucraniano, dado que o país era responsável pelo fornecimento de 4,5 milhões de produtos alimentares através dos seus portos. Segundo a companhia de seguro de créditos COSEC, onze países, de diferentes continentes, enfrentam um “risco elevado” de atravessarem uma crise alimentar.

A lista é composta por: Sri Lanka, Argélia, Bósnia-Herzegovina, Egipto, Jordânia, Líbano, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Tunísia e Turquia. Em comum, estes países têm o facto de serem importadores líquidos de alimentos e terem um risco de perturbações sociais relativamente elevado.

Os analistas da companhia de seguro de créditos sugerem ainda que a Rússia possa ser uma das geografias que pode ser incluída parcialmente neste grupo, dado que enfrenta um elevado risco de perturbações alimentares, embora “não sejam expectáveis distúrbios sociais no atual contexto geopolítico”.

Manfred Stamer, economista-sénior da Allianz Trade para a Europa Emergente e Médio Oriente, afirma que o choque mundial dos preços dos alimentos é “particularmente preocupante para os países que são importadores líquidos de alimentos ou importadores líquidos de alguns bens alimentares que se tornaram escassos devido à guerra na Ucrânia, como cereais”.

“Esta realidade afeta, em particular, os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento, que, por norma, têm uma capacidade limitada para encontrar substitutos para as importações de bens alimentares. Por isso, um ajustamento nos preços pode conduzir a uma menor disponibilidade de bens e, consequentemente, aumentar o risco de convulsões sociais”, acrescenta o responsável.

Antes da invasão russa, a Ucrânia era responsável pelo fornecimento de 4,5 milhões de toneladas de produtos alimentares através dos seus portos, o equivalente a 12% do trigo consumido à escala global, 15% do milho transacionado e 50% do óleo de girassol do planeta. Em conjunto, a Rússia e a Ucrânia exportavam 28% do total de trigo mundial. Com a eclosão da guerra, o acesso a esses mercados está encerrado e, nos próximos anos, milhões de pessoas poderão enfrentar um risco de insegurança alimentar, que faz ressurgir os receios de subnutrição e fome em massa.

Também a própria subida da inflação impacta rendimento disponível das famílias. Os especialistas não antecipam uma queda generalizada do produto interno bruto (PIB) per capita em 2022, mas alertam que a subida da inflação vai ter efeitos sobre o rendimento disponível das famílias.

“Durante a pandemia, os governos disponibilizaram apoios que permitiram amortecer um pouco a quebra no crescimento do PIB per capital em algumas economias. Agora, as necessidades de importação de alguns países são mais elevadas e a capacidade orçamental é menor. Por isso, muitas economias estão a tentar encontrar a fórmula correta entre políticas que atenuem o impacto nas contas das famílias enquanto garante segurança alimentar e diminuem as possibilidades de riscos social”, lê-se no comunicado da COSEC.

Relacionadas

Crise alimentar fará “milhões de vítimas” de doenças infecciosas

Esta vulnerabilidade poderá desencadear uma nova crise sanitária, afirmou Peter Sands em entrevista à agência de notícias francesa AFP, à margem de uma reunião dos ministros da Saúde do G20 em Yogyakarta, Indonésia.

Governo português acusa Rússia de usar a fome como arma e de fustigar países

“A Rússia está a utilizar táticas completamente inaceitáveis, desumanas, típicas da idade medieval e a utilizar a fome como arma não só na Ucrânia, mas a alastrar essa fome a muitos outros países do mundo, o que é condenável e tem que cessar de imediato”, disse Francisco André à agência Lusa.

Uso de sanções vai acabar por afetar o mundo inteiro, diz Xi Jinping

O Presidente chinês assegurou hoje, na cerimónia de abertura do Fórum Empresarial do bloco BRICS, que aqueles que se aproveitam da sua posição para “impor sanções” vão acabar por afetar “pessoas em todo o mundo”.

Rússia diz que ocidente mente sobre as causas da crise alimentar mundial

“Então o Ocidente pode fornecer todas essas armas para a Ucrânia, mas por alguma razão nada pode ser tirado da Ucrânia?”, questionou a porta voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.
Recomendadas

Líder checheno prepara envio de quatro batalhões para a Ucrânia

Aliado checheno de Putin vai enviar soldados para a Ucrânia.

Revista de imprensa internacional: as notícias que estão a marcar a atualidade global

46 corpos de migrantes encontrados dentro de camião no Texas; Líderes mundiais condenam “abominável” ataque russo a centro comercial ucraniano; Número de mortos após ataque a centro comercial em Kremenchuk sobe para 18.

Ucrânia: Presidente da Indonésia a caminho de Kiev para encontro com Zelensky

Joko Widodo, que participou na cimeira do grupo dos sete países mais industrializados do mundo (G7), na segunda-feira, na Alemanha, já está a caminho de Kiev, disse a ministra dos Negócios Estrangeiro indonésio, Retno Marsudi, que acompanha o chefe de Estado, numa mensagem vídeo.
Comentários