Cosec diz que Portugal deverá crescer 5,1% em 2022, acima da média da zona euro

A normalização das trocas comerciais a nível global, explicam os economistas da líder mundial em seguro de créditos, deverá ter lugar na segunda metade do ano.

A economia portuguesa deverá crescer 5,1% em 2022, um ponto percentual acima do desempenho estimado para a média da zona euro, revelam as previsões económicas anuais da Euler Hermes, acionista da companhia de seguro de créditos (Cosec) que é detida equitativamente pelo Banco BPI e pela Euler Hermes, líder mundial em seguro de créditos.

“A economia portuguesa tem crescido mais do que outras economias da zona euro, mas apenas devido à forte contração que sofreu em 2020. Assim, antecipamos que a tendência de recuperação se mantenha à medida que são levantadas de forma gradual as restrições associadas à Covid-19”, explicou Ana Boata, global head of macroeconomic and sector research da Euler Hermes.

A economista destaca também que a dependência da economia portuguesa em relação ao turismo “deverá manter os níveis das exportações de bens e serviços ainda abaixo dos registados pré-pandemia”.

Numa perspetiva global, o crescimento económico deverá permanecer robusto, defende a Cosec. O PIB da zona euro deverá crescer 4,1% e o dos Estados Unidos da América 3,9%. A China deverá registar um crescimento de 5,2%. Mas aumentará a divergência entre economias desenvolvidas e economias emergentes, defende a seguradora

“As economias desenvolvidas vão continuar a ser responsáveis por mais de metade do crescimento global (+2,2 pontos percentuais em 2022 e +1,6 pontos percentuais em 2023), enquanto que os mercados emergentes ficarão estagnados pela primeira vez desde a crise financeira global”, refere a Cosec.

Comércio global continua a recuperar, mas instabilidade mantém-se

As estimativas da Euler Hermes apontam para que o comércio global cresça 5,4% este ano e 4% em 2023. No entanto, no curto prazo, manter-se-á alguma instabilidade devido aos desequilíbrios entre a oferta e a procura. Pois, defende a seguradora, “os possíveis surtos da variante Ómicron vão impactar as cadeias de distribuição e contribuir para manter elevada a pressão sobre os preços”.

Durante os próximos dois a quatro meses, antecipam os economistas, os setores com baixas ou nulas possibilidades de teletrabalho serão os mais afetados e a inflação será impulsionada pelas disrupções nas cadeias de abastecimento originadas, nomeadamente, pelos défices de produção da China, que podem representar um terço do valor global da subida dos preços – entre 1,5 e 2 pontos percentuais na Zona Euro, nos Estados Unidos e no Reino Unido.

A normalização das trocas comerciais a nível global, explicam os economistas da líder mundial em seguro de créditos, deverá ter lugar na segunda metade do ano, impulsionada por três fatores. O primeiro é a redução, para níveis normais, dos gastos dos consumidores com bens de consumo duráveis, acompanhada por uma mudança dos hábitos de compra com foco em produtos sustentáveis. O segundo um abrandamento das dificuldades de fornecimento de bens intermédios (bens industrializados, ou matérias-primas, usados na produção de outros bens intermediários ou de produtos finais). O terceiro é a redução dos prazos de entrega de mercadorias, à medida que cresce a capacidade de expedição.

 

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