Costa defende ação climática com transição inclusiva sem “deixar ninguém para trás”

António Costa falava no debate geral entre chefes de Estado e de Governo da 77.ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), encontro marcado pela invasão russa da Ucrânia e as suas consequências globais.

O primeiro-ministro, António Costa, durante debate sobre Orçamento do Estado de 2022, na Assembleia da República, em Lisboa, 28 de abril de 2022. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O primeiro-ministro, António Costa, defendeu hoje nas Nações Unidas a urgência da ação climática, mas com uma transição inclusiva, sem “deixar ninguém para trás”.

 

António Costa falava no debate geral entre chefes de Estado e de Governo da 77.ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), encontro marcado pela invasão russa da Ucrânia e as suas consequências globais.

Numa intervenção em português, o primeiro-ministro sustentou que “é inegável” a existência de “um nexo entre o clima e a segurança”.

“Sentimos hoje, como nunca, os efeitos das alterações climáticas: vagas de calor ou de frio intenso, secas, incêndios, inundações e tempestades. Países como Portugal, que sofrem com a erosão costeira, o aumento das secas e com o drama dos incêndios florestais, percebem claramente a urgência da ação climática”, disse.

O primeiro-ministro português assinalou a situação no Paquistão “que está hoje a sofrer as consequências verdadeiramente devastadoras da inação climática do resto do mundo”, e o impacto das alterações climáticas nos “países costeiros, em particular os pequenos países insulares, que sentem, ano após ano, a sua subsistência ameaçada pela subida das águas do mar”.

Depois, manifestou a expectativa de que a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em novembro deste ano, em Sharm el-Sheikh, no Egito, conduza “a uma transição inclusiva, assegurando uma repartição mais equilibrada do financiamento climático entre a mitigação e a adaptação”.

“A transição para um futuro de prosperidade, um futuro verde e digital, não pode deixar ninguém para trás. As políticas sociais têm de estar no centro da nossa ação, do desenvolvimento das nossas economias, do combate às alterações climáticas”, defendeu.

Neste discurso, de 16 minutos, o primeiro-ministro defendeu, por outro lado, que “nenhum futuro será verdadeiramente transformador sem sociedades pluralistas, inclusivas, que promovam a igualdade de género e combatam a discriminação racial, o racismo, a xenofobia e todas as formas de intolerância”.

“O combate pela igualdade de género e pelo empoderamento das mulheres é, neste âmbito, absolutamente crucial. Sem o vencer, não é possível cumprir as nossas obrigações de direitos humanos nem a implementação bem-sucedida da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, considerou.

António Costa falou sobre o acolhimento de migrantes e refugiados e afirmou que “Portugal continuará a participar construtivamente nas discussões sobre a governação das migrações” e prosseguirá políticas de integração e de “promoção de vias regulares de mobilidade laboral”.

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