Costa defende que aumento de salário médio em 20% é “absolutamente compatível” com evolução dos últimos anos

O primeiro-ministro, António Costa, defendeu esta quarta-feira que o aumento do salário médio em 20% ao longo da legislatura é “absolutamente compatível” com a evolução salarial nos últimos anos em Portugal.

O primeiro-ministro, António Costa, durante debate sobre Orçamento do Estado de 2022, na Assembleia da República, em Lisboa, 28 de abril de 2022. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

No debate sobre política geral no parlamento, o líder parlamentar do PSD, Paulo Mota Pinto, desafiou Costa a explicar se se referia ao aumento real ou nominal dos salários, quando desafiou os empresários a fazerem este aumento ao longo de quatro anos, “para não se ficar ao nível da atoarda ou do embuste”.

Na resposta, o primeiro-ministro remeteu para o programa eleitoral e de Governo do PS, nos quais já se fixava o objetivo de fazer convergir o peso dos salários no Produto Interno Bruto (PIB) com a média europeia.

“O nosso peso atual é de 45%, a meta é chegar aos 48% que é a meta europeia. Para essa trajetória temos de ter uma evolução do salário médio, essa evolução é absolutamente compatível com a evolução do salário médio que temos tidos nos últimos anos. Ou ignora qual tem sido?”, questionou.

Paulo Mota Pinto respondeu que esses dados estariam desatualizados, e insistiu na pergunta.

“Sendo um aumento real, tem consciência do que está a exigir aos empresários, um aumento nominal dos salários superior a 35%?”, questionou.

O líder parlamentar do PSD acusou o Governo liderado por Costa de ser “o menos reformista do século” e de não ter criado “condições mínimas para as empresas prosperarem”.

“Porque não começou por dar o exemplo nos trabalhadores da função pública e nem sequer previu um aumento em linha com a inflação? É fácil prometer subidas de salários à custa do dinheiro dos outros. Como vai impor, criando um ministério dos salários à soviética?”, questionou.

Costa remeteu, uma vez mais, a resposta para o programa do Governo, dizendo que tal não será exigido nem imposto, mas negociado num acordo de competitividade e rendimentos, lembrando que a meta fixada está indexada ao crescimento.

“Quanto à função pública: reposição dos vencimentos que tinham sido cortados, reposição das carreiras que tinham sido congeladas e, em terceiro lugar, princípio de atualização anual. Foi assim que fizemos e assim continuaremos a fazer e assim negociaremos com os sindicatos”, referiu.

O ainda presidente do PSD, Rui Rio, que cessará funções como líder no primeiro fim de semana de julho (vai suceder-lhe no cargo Luís Montenegro), não esteve hoje presente no arranque do debate parlamentar.

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