Costa diz que PSD e CDS querem amarrar os socialistas a uma pedra

O secretário-geral do PS considera que os reptos da maioria PSD/CDS para a celebração de compromissos têm apenas a intenção de “amarrar” os socialistas a um processo de lenta agonia do país provocado pelo Governo. António Costa assumiu esta posição de rejeição de acordos a breve prazo com o executivo liderado por Pedro Passos Coelho […]

O secretário-geral do PS considera que os reptos da maioria PSD/CDS para a celebração de compromissos têm apenas a intenção de “amarrar” os socialistas a um processo de lenta agonia do país provocado pelo Governo.

António Costa assumiu esta posição de rejeição de acordos a breve prazo com o executivo liderado por Pedro Passos Coelho no seu primeiro discurso político de fundo no XX Congresso Nacional do PS, em Lisboa, durante a abertura do período de discussão da moção de estratégia.

“Os compromissos que a maioria [PSD/CDS] deseja não são compromissos para servir para Portugal ou para servir portugueses, mas para amarrar-nos conjuntamente à pedra que os arrasta para o fundo. Queriam levar-nos com eles nesta lenta agonia que enfraquece o país. Ora, tal privaria o país de uma alternativa credível e sólida para fazer a mudança”, sustenta.

Antes de pôr um ponto final nos desafios da maioria PSD/CDS para acordos de regime antes das legislativas, o secretário-geral do PS advogou a tese de que, se as forças do Governo estivessem bem-intencionadas em relação a um objetivo de consenso, teriam aprovado algumas das propostas apresentadas pela bancada socialista de alteração ao Orçamento do Estado para 2015.

“Mas chumbaram todas”, declarou, antes de criticar o recente teor da entrevista dada à RTP pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, na qual “falou longa e descontraidamente”, designadamente sobre “casos judiciais”.

“Comentou esse sucesso da iniciativa privada que é a crise no Banco Espírito Santo e travou polémica com as instituições europeias que não confiam nas metas que o Governo apresenta para as metas de execução orçamental do próximo ano. Mas o primeiro-ministro nada disse sobre crescimento, sobre emprego no país, combate à pobreza ou sobre competitividade. Nem uma única medida”, refere o líder socialista.

Neste contexto, o secretário-geral do PS insurgiu-se contra a referência feita por Passos Coelho, também nessa entrevista na RTP, segundo a qual existirá uma nova dinâmica no emprego em Portugal.

Costa contrapôs então que nos últimos três anos perderam-se no país 340 mil empregos líquidos, que o desemprego de longa duração atingiu os 467 mil cidadãos e que há 300 mil inativos.

“Nos últimos três anos, partiram mais de 125 mil jovens, porque não tinham futuro em Portugal. É a isto que o primeiro-ministro chama uma nova dinâmica do emprego?”, interroga-se.

Num longo discurso, António Costa defendeu também que, apesar dos sucessivos processos de privatizações, a dívida de Portugal continua a aumentar, subindo 30 pontos percentuais.

“A dívida cresceu sete vezes mais do que toda a receita de privatizações até este momento. O Governo vendeu tudo e a dívida não só não baixou como continua a aumentar, asfixiando o futuro de Portugal. O Governo falhou, mas não quer ter emenda”, acrescenta.

OJE/Lusa

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