Costa Silva: Próximos anos não vão ser “cor-de-rosa” para a economia portuguesa

António Costa Silva, ministro da Economia, afirma que “não é com receitas do passado que vamos resolver os problemas”, defendendo que “para resolver os problemas de curto prazo, precisamos de uma visão de longo prazo”.

Cristina Bernardo

António Costa Silva, ministro da Economia, afirma que os próximos anos não vão ser “cor-de-rosa” para a economia portuguesa, num cenário de potencial recessão europeia, e que é preciso começar a preparar as empresas para enfrentarem a “tempestade que se avizinha”.

“Estamos a lidar com os monstros da guerra, da inflação, do custo de vida, do custo para as empresas, além dos custos de contexto”, afirmou António Costa Silva na VI Cimeira do Turismo Português, organizada esta terça-feira. “Portanto, não vamos conseguir sair daqui tendo a ilusão que 2022, com o desempenho económico do país, vai ser satisfatório e que os próximos anos serão anos cor-de-rosa. Não vão ser”, sublinhou.

O ano de “2022 mostra um desempenho extraordinário, notável da economia portuguesa. Vamos crescer cerca de 6,5%. O maior crescimento da zona euro”, referiu o ministro da Economia, “mas não vamos ter ilusões”. De acordo com o governante, “há um efeito de base, porque isto compara com o ano anterior em que o crescimento foi muito baixo”.

Além disso, diz Costa Silva, “há uma contribuição extraordinária, sobretudo do primeiro semestre, do consumo interno e particularmente as trocas líquidas externas, com o comércio e o turismo à cabeça. Portanto, é a recuperação extraordinária do turismo que explica este desempenho económico”.

“A minha grande preocupação é o que se vai passar em 2023 e 2024, quando vemos que o motor económico da Europa está gripado – a recessão vai flagelar a Alemanha. Vamos ter arrefecimento da economia europeia. E, como sabemos, 60% das nossas exportações são para a Europa”, afirma o ministro da economia.

Nesse sentido, a “grande preocupação é como preparar em conjunto com os empresários” para “defrontarmos a tempestade que se vai avizinhar”.

E continuou: “não tenhamos ilusões também: não é com receitas do passado, com as teorias do passado” que “vamos resolver os problemas. Para resolver os problemas de curto prazo, precisamos de uma visão de longo prazo. E precisamos, sobretudo, de não ter medo de pensar, de interrogar e de pesquisar as diferentes vias que estão à nossa frente”.

O ministro das Finanças afirmou, no mesmo evento, que o Governo tem a responsabilidade de criar o melhor ambiente para as empresas, mas também a de garantir a redução da dívida pública, por ser a melhor forma de garantir financiamento à economia.

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