Covid-19. Confinamento em fábrica de iPhones mostra riscos de dependência da China, afirmam analistas

“Numa situação normal, quase toda a produção do iPhone está a acontecer em Zhengzhou”, disse Ivan Lam, analista da empresa especializada Counterpoint. Não se sabe ao certo como é que o confinamento forçado pela política de zero-Covid afetará a produção, mas é mais um sinal de instabilidade das cadeias de produção no país.

O bloqueio da fábrica da Foxconn em Zhengzhou, a maior produtora mundial de iPhones, revelou riscos de depender do sector manufatureiro da china, que continua a reger-se pela política de zero-Covid, disseram analistas à “AFP”.

A Foxconn, principal subcontratada da Apple — e a maior empregadora do sector privado da China, com mais de um milhão de pessoas em cerca de 30 fábricas e centros —, assistiu a um aumento nos casos de Covid-19 no seu complexo industrial de Zhengzhou, levando-a a fechar portas numa tentativa de confinar o vírus.

Chegaram a surgir imagens de trabalhadores em pânico a fugir do local a pé após alegações de más condições na instalação de Zhengzhou, que emprega cerca de 300 mil trabalhadores. A questão é que o complexo é altamente valioso para a Apple.

“Numa situação normal, quase toda a produção do iPhone está a acontecer em Zhengzhou”, disse Ivan Lam, analista da empresa especializada Counterpoint.

Questionada pela agência noticiosa, a Apple não comentou sobre como o confinamento afetará a produção. O analista Lam estima que a interrupção parcial do trabalho resultou numa perda de “10 a 30%” da produção, mas disse que parte foi transferida temporariamente para outros locais da Foxconn na China.

De acordo com a Foxconn, o local está atualmente a funcionar em “circuito fechado” com os trabalhadores a evitar qualquer contacto com o mundo exterior, enquanto os seus bónus diários foram quadruplicados.

“Este incidente pode ter um impacto limitado” na produção mundial do iPhone, estimou o analista Ming-Chi Kuo, especializado em produtos da Apple. “Mas os fornecedores na China devem aprender a melhorar a eficiência da produção em circuito fechado em resposta à política de zero-Covid”.

Já Alicia Garcia Herrero, gerente da Ásia-Pacífico do banco Natixis, disse que, para a Apple, este é mais um exemplo de pouca estabilidade das cadeias de produção”.

A gigante tecnológica fabrica mais de 90% dos seus produtos na China, que também é um dos seus mercados mais importantes.

Especialistas dizem que a forte dependência da empresa em relação àquele país “traz riscos potenciais, especialmente quando a guerra comercial EUA-China não mostra sinais de descalar”, segundo a consultoria Dezan Shira & Associates.

E se é verdade que a Apple já começou a terceirizar parte da sua produção para a Índia e está de olho no Vietname numa tentativa de diminuir a dependência da China – uma tendência acelerada pela Covid-19 –, tal não é assim tão simples. No ano passado, apenas 3% da produção total de iPhones (quase 7,5 milhões) foram fabricados na Índia.  Há caminho para melhorar, e essa será a tendência, mas “aumentar a capacidade das fábricas (na Índia) é difícil”, alertou Lam.

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Políticas zero-covid, com impacto nos stocks, e as tensões agudizadas pela invasão da Ucrânia contribuíram para esta decisão. A tecnológica norte-americana não é a primeira a transferir parte da sua produção para fora da China, naquela que tem sido uma tendência de várias empresas líderes de mercado.
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