Covid-19: IL exige divulgação dos pareceres científicos sobre vacinação infantil

Para a IL, trata-se de “uma matéria de enorme sensibilidade, com dimensões éticas que devem ser devidamente salvaguardas e em que é fundamental que as famílias disponham de todos os dados necessários para que possam tomar uma decisão informada sobre os benefícios e os riscos da vacinação”.

Cristina Bernardo

A Iniciativa Liberal (IL) disse esta quarta-feira, 8 de dezembro, que vai exigir a divulgação dos pareceres científicos sobre a vacinação de crianças entre os cinco e onze anos contra a Covid-19 e considerou “inaceitável” que a DGS a autorize sem fornecer aquela informação.

“A Iniciativa Liberal considera absolutamente inaceitável que a decisão da DGS [Direção-Geral da Saúde] de autorizar a vacinação de crianças entre os cinco e os onze anos não seja acompanhada da divulgação pública e integral dos pareceres que a suportaram”, lê-se num comunicado do partido liderado por João Cotrim de Figueiredo.

A DGS recomendou, na terça-feira, a vacinação das crianças entre os cinco e os onze anos, com prioridade para as que têm doenças consideradas de risco para Covid-19 grave.

Em comunicado, a DGS apontou que esta recomendação surge na sequência da posição da Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19 (CTVC), que considerou, com base nos dados disponíveis, que a avaliação risco-benefício, numa perspetiva individual e de saúde pública, é favorável à vacinação das crianças desta faixa etária.

Para a IL, trata-se de “uma matéria de enorme sensibilidade, com dimensões éticas que devem ser devidamente salvaguardas e em que é fundamental que as famílias disponham de todos os dados necessários para que possam tomar uma decisão informada sobre os benefícios e os riscos da vacinação”.

Assim, o partido disse que vai requerer a divulgação dos pareceres científicos que levaram à decisão da DGS e interpelou o Governo no sentido de garantir que esta é assegurada de imediato, por considerar que se trata de informação “indispensável para que o direito à família seja assegurado” e para “afastar cenários de especulação e desinformação”.

“A opção pelo sigilo é uma estratégia errada, violadora dos direitos elementares das famílias e deve ser de imediato revertida”, considerou a IL, acrescentando que a atuação da DGS deve ser pautada pela transparência e pela promoção do esclarecimento das “dúvidas legítimas e naturais sobre o processo”.

Na sexta-feira, a DGS e o Núcleo de Coordenação de Apoio ao Ministério da Saúde prestarão esclarecimentos técnicos adicionais e sobre o calendário de vacinação e respetiva logística, em conferência de imprensa.

A incidência de infeções do coronavírus em crianças com menos de dez anos está a crescer desde o final de outubro, sendo a faixa etária que apresentou um valor mais elevado na última semana.

Segundo a última análise de risco da pandemia das autoridades de saúde, divulgada na sexta-feira, o grupo etário com incidência cumulativa a 14 dias mais elevada correspondeu às crianças entre os zero e os dez anos, que ainda não eram elegíveis para vacinação contra a Covid-19, com 597 casos por 100 mil habitantes.

Portugal deve receber as primeiras 300 mil vacinas com características pediátricas contra a Covid-19, do consórcio farmacêutico BioNTech/Pfizer, a 13 de dezembro, anunciou na segunda-feira o secretário de Estado Adjunto e da Saúde.

“Vão chegar cerca de 300 mil vacinas no dia 13 de dezembro e, depois, durante o mês de janeiro, chegarão mais 400 mil vacinas, o que, para esta população, será suficiente”, disse António Lacerda Sales, em Constância (Santarém), tendo feito notar que esta é uma “vacinação diferente porque é por unidose, de dez microgramas, cerca de um terço da dose de um adulto”.

A 25 de novembro, em conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, o primeiro-ministro, António Costa, adiantou que o Governo já tem o fornecimento de vacinas pediátricas contratualizado com a farmacêutica Pfizer e que garante a cobertura das mais de 637 mil crianças nesta faixa etária.

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