Covid-19. Manuel Carmo Gomes defende alterações às políticas de rastreio e redução do período de isolamento

Numa altura em que se assiste a um novos máximos de casos confirmados, o epidemiologista Carmo Gomes defende que os critérios das cadeias de transmissão devem ser reforçadas, argumentando que o número de dias de isolamento deve ser reduzido.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes defendeu uma mudança de estratégia para combater a Covid-19 que passa pela administração de doses de reforço, uma campanha de esclarecimento e alterações às políticas de rastreio.

Em declarações à “Sic Notícias”, esta quarta-feira, o especialista defendeu que o reforço vacinal deve ser feito numa altura em que se avança com a vacinação por faixas etárias.

“Em primeiro lugar, vamos prosseguir com o reforço vacinal. Estamos já muito avançados”, disse, referindo que 85% da  população com mais 70 anos já recebeu a dose de reforço, um avanço que se verifica também nos adultos com 60 anos. “E vamos, como a comissão de vacinação técnica disse, baixar para idades para os 40 anos, e depois até cá abaixo aos 18 anos. O reforço é fundamental”, explicou o especialista.

Depois do reforço vacinal, na lista de prioridades de Carmo Gomes, segue em “uma campanha muito agressiva de esclarecimento da população à cerca de como deve proceder em caso de sintomatologia ou em caso de contacto com um caso confirmado”. “As pessoas têm de saber que no essencial devem-se auto isolar em cerca de cinco dias, se possível fazerem o autoteste para ver se estão positivas e fundamental: não devem ir ao hospital”, referiu.

Quanto ao rastreio, e epidemiologista sublinhou que é preciso ser “muito mais criteriosos nas cadeias de transmissão que queremos rastrear” e considerou também ser preciso “reduzir o número de dias de isolamento”.

Quanto à comparação entre a variante Delta e Ómicron, Manuel Carmo Gomes afirmou que a variante sul africana é “aparentemente não tão patogénica”, alertando, no entanto que é necessário ainda “um pequeno número de dias para confirmar isto, nomeadamente olhando os dados hospitalares que estão mais avançado neste processo de propagação do que” em Portugal. No entanto, “tudo indica que não é tão patogénica em populações que estão muito vacinadas como é o caso da nossa população”, sublinhou.

Há algumas dificuldades em tirar isto a limpo em parte porque é preciso “esclarecer se as pessoas que estão a ser hospitalizadas, por exemplo, no Reino Unido e na Dinamarca, estão a ser hospitalizadas devido à Delta ou à Ómicron”, disse o especialista, acrescentando que apesar das dúvidas “é um facto que a Ómicron está a substituir a Delta”. “Portanto, a médio prazo até é de esperar que as hospitalizações possam descer mesmo que os casos da Ómicron continuem a subir

Os dados mais recentes da Direção Geral de Saúde indicam que existem mais 26.867 casos da Covid-19 e 12 mortes. Quanto aos internamentos existem 971 (mais 35) e 151 nas Unidades de Cuidados Intensivos (menos 1).

 

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