Covid-19: Profissionais de saúde do Santa Maria exaustos mas com “sentido de missão”

Houve, durante este período, inúmeros profissionais que deram tudo de si, até aos limites. As pessoas fazem-no sem lamentações e queixas, mas sabemos que estão exaustos e cansados do período em que têm estado sob grande pressão. Isso é um sinal de que consideram que o seu trabalho está imbuído de um forte sentido de missão”, afirmou Daniel Ferro, presidente do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte.

O presidente do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte destacou hoje o “sentido de missão” dos profissionais da instituição no combate à pandemia da covid-19, muitos dos quais em situação de exaustão, mas sem “lamentações e queixas”.

“Houve, durante este período, inúmeros profissionais que deram tudo de si, até aos limites. As pessoas fazem-no sem lamentações e queixas, mas sabemos que estão exaustos e cansados do período em que têm estado sob grande pressão. Isso é um sinal de que consideram que o seu trabalho está imbuído de um forte sentido de missão”, afirmou Daniel Ferro.

O administrador hospitalar falava num ‘webinar’ promovido pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar, integrado na comemoração do 66.ºaniversário do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Segundo Daniel Ferro, os resultados obtidos no combate à pandemia neste hospital devem-se, “em primeiro lugar, ao enorme profissionalismo das pessoas que integram este centro” hospitalar.

“Os nossos colaboradores gostam de fazer as coisas bem e esta pandemia obrigou-nos a fazer as coisas bem”, referiu Daniel Ferro, salientando que a pandemia fez com que se reforçasse a “partilha intensa do conhecimento” e o trabalho de equipa que “vai ficar para o futuro”.

Para o diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Fausto Pinto, a pandemia da covid-19 constitui um “desafio enorme” também nesta área de ensino, tendo em conta que foi necessário proceder à interrupção das aulas presenciais.

“É um facto que, em 24 horas, foi montado um sistema de aulas remotas que permitiu manter algum tipo de formação nos vários anos do curso”, disse o médico Fausto Pinto, para quem estava em causa a necessidade de não “comprometer a formação de toda uma geração, daqueles que vão ser os futuros médicos”.

Neste debate participou também a presidente do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM), Maria do Carmo Fonseca, que realçou que a covid-19 colocou em evidência o trabalho de investigação científica na área clínica.

“Foi muito óbvio, com esta pandemia, que temos de ser capazes de inovar. A inovação é um produto de um grande investimento, de um grande trabalho silencioso. De repente e quando é necessário, a sociedade vira-se para os cientistas e pede uma resposta. Os cientistas só podem responder se, de facto, tiveram tido anos árduos de trabalho”, disse.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.557.814 mortos resultantes de mais de 68,2 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 5.192 pessoas dos 332.073 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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