Covid-19: PSD diz que se está a “correr atrás do prejuízo” e aponta inconsistências nas medidas

Sobre os anúncios de hoje, Baptista Leite classificou como “inconsistentes as diferentes medidas entre restaurantes, bares e discotecas, sobretudo em relação à testagem”.

Flickr/PSD

O PSD afirmou hoje que o Governo está a “correr atrás do prejuízo”, apelando a que os portugueses respondam “à falta de planeamento” no reforço da vacinação com a contenção de contactos, e aponta inconsistência nas medidas.

“Tínhamos alertado no final do verão para a necessidade de planear as doses de reforço. Infelizmente, estamos a poucos dias do Natal e esse trabalho ainda não foi feito, agora estamos a correr atrás do prejuízo”, afirmou o vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Ricardo Baptista Leite, em declarações à Lusa, em reação às novas restrições hoje anunciadas pelo primeiro-ministro, António Costa, para fazer face o aumento de casos de covid-19.

Para o deputado e médico, “está um pouco nas mãos dos portugueses garantirem” a “melhor forma possível” de responder ao aumento de casos de covid-19 e “outras ameaças no sistema de saúde”.

“Quem não está vacinado e não se conseguir vacinar, quem não se conseguir testar (…) a essa falta de planeamento temos de responder tendo cuidado com os contactos e evitando mesmo esses contactos até a situação normalizar”, apelou.

Sobre os anúncios de hoje, Baptista Leite classificou como “inconsistentes as diferentes medidas entre restaurantes, bares e discotecas, sobretudo em relação à testagem”.

“Deve haver clareza em relação às medidas que se tomam e há aqui uma série de incongruências e isto leva a que os próprios cidadãos se sintam confusos depois de dois anos de gestão de uma pandemia”, alertou.

Por outro lado, o cabeça de lista do PSD por Lisboa nas próximas legislativas apelou ao Governo para que “consiga encontrar mecanismos alternativos para acelerar a vacinação sem continuar a retirar recursos ao SNS e aos centros de saúde”, como incluir as farmácias comunitárias no plano.

“Da parte do PSD, entendíamos que não deveríamos ter entrado no inverno com uma parte da população vulnerável ainda por vacinar (…) Nestas matérias, devemos esperar o melhor, mas preparar-nos para o pior. Agora temos de trabalhar com as ferramentas que existem, estas são as condições em que o Governo nos deixou”, apontou.

Ricardo Baptista Leite lamentou ainda que o primeiro-ministro não tenha dito “uma palavra” sobre a forma como o SNS “se preparou e se prepara para responder aos doentes com outras doenças”.

“Esperamos que haja um plano de emergência, perante a expectativa do aumento do número de doentes covid-19 a entrar no sistema, se for esse o pressuposto das decisões do Governo”, acrescentou, dizendo que o partido não conhece as projeções de casos que condicionaram as medidas hoje anunciadas.

O primeiro-ministro afirmou hoje que falou com o Presidente da República e que o Governo procedeu à informação e audição, por via telefónica, de todos os partidos representados no parlamento sobre as novas medidas de combate à pandemia da covid-19.

O Governo decidiu hoje, após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, antecipar para o dia 25 de dezembro o encerramento de creches e ateliês de tempos livres (ATL), de bares e discotecas e a obrigatoriedade do teletrabalho.

A partir das 00:00 de 25 de dezembro, o acesso a eventos desportivos e culturais dependerá da apresentação de teste negativo ao coronavírus, independentemente no número de espetadores, e a lotação dos espaços comerciais estará limitada a uma pessoa por cada cinco metros quadrados para “evitar ajuntamentos”.

O acesso a restaurantes, casinos e festas de passagem de ano vai exigir a realização de um teste negativo à covid-19 com esta obrigatoriedade a abranger os dias 24, 25, 30 e 31 de dezembro e 01 de janeiro.

Os ajuntamentos na via pública de mais de 10 pessoas, bem como o consumo de álcool na rua, são proibidos na passagem de ano.

O Governo decidiu ainda aumentar de quatro para seis por mês os testes gratuitos por pessoa nas farmácias.

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