Covid-19. Um em cada oito infetados tem sintomas prolongados

Entre os sintomas persistentes estão as dores de cabeça e o cansaço.

Um estudo publicado no The Lancet, sugere que um em cada oito adultos infetados com coronavírus apresenta sintomas persistentes.

“Muitos estudos avaliaram apenas se os sintomas das pessoas estavam presentes num determinado momento após o diagnóstico de covid. No entanto, alguns sintomas pós-Covid são muito comuns (por exemplo, dor de cabeça, cansaço) e as pessoas sentiram-nos regularmente”, aponta Aranka Ballering, autora do artigo no The Lancete citada pelo “El Pais”.

Além disso, “alguns sintomas também podem ser causados ​​por mudanças sazonais – por exemplo, espirros podem ser causados ​​por rinite alérgica em vez de covid. Isso implica que precisamos de populações de controlo adequadas se quisermos estimar bem a prevalência de pós-Covid”.

No estudo, os cientistas acompanharam mais de 76.000 pessoas entre março de 2020 e agosto de 2021 com questionários de rotina. Destes, 4.231 participantes foram infetados com Covid durante o estudo e os resultados destes foram comparados com os de 8.462 pessoas de idade e sexo semelhantes, que nunca foram diagnosticadas com Covid-19.

“Recolhemos informações sobre a saúde das pessoas antes mesmo de serem diagnosticadas com covid. Isso permitiu-nos avaliar se as pessoas tiveram um aumento na gravidade dos sintomas após o diagnóstico de Covid, em comparação com o momento anterior ao diagnóstico”, explicou Ballering.

Assim, o estudo concluiu que um em cada oito adultos que tiveram covid (12,7%) apresentou sintomas de longo prazo devido à infeção por coronavírus. Os principais sintomas identificados foram, sobretudo, perda do olfato e/ou paladar e dores musculares, embora também fossem frequentes dores no peito, falta de ar e cansaço.

Para Pere Domingo, coordenador de covid do Hospital Sant Pau em Barcelona e que não participou do estudo, o estudo é “muito sólido”. No entanto, admite que “o estudo é feito com variante antigas” e como tal não é possível saber “se é aplicável ao delta ou ao ómicron”. “Provavelmente, existem diferenças”, afirma.

“A vacinação, que começou com este estudo já em andamento, também pode ter influenciado no sentido de modular o impacto da covid persistente”, refere o médico de Sant Pau.

Além do volume dos afetados, o fenómeno da covid persistente permanece desconhecido para os especialistas. “Há mais perguntas do que respostas”, admite Domingo. A começar pela origem. “Uma hipótese é que pode haver pedaços do vírus que persistem no corpo e geram uma resposta patológica e imunológica. Parece plausível”, sustenta o especialista.

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