Credit Suisse e Citi optimistas em relação à rentabilidade e ao capital do Novobanco

Depois de, esta semana, a Moody’s ter subido em dois níveis o rating do Novobanco e mantido a perspetiva positiva, eis que o Credit Suisse e o Citi comentaram a melhoria de rating do banco liderado por António Ramalho, que com esta ação deixou finalmente de ter um rating “triple C”. Ambos estão optimistas em relação ao futuro do Novobanco, quer no regresso à rentabilidade sustentável, quer no que toca ao reforço dos rácios de capital. 

Depois de, esta semana, a Moody’s ter subido em dois níveis o rating do Novobanco e mantido a perspetiva positiva, eis que o Credit Suisse e o Citi comentaram a melhoria de rating do banco liderado por António Ramalho, que com esta ação deixou finalmente de ter um rating “triple C”. Ambos estão otimistas em relação ao futuro do Novobanco, quer no regresso à rentabilidade sustentável, quer no que toca ao reforço dos rácios de capital.

O Credit Suisse disse, numa nota de research, que “é pouco provável que a subida do rating tenha um impacto significativo na avaliação relativa do crédito do Novobanco, já que esta melhoria da notação era há muito esperada, na sequência da acentuada melhoria do perfil de risco do banco liderado por António Ramalho, com o rácio de NPL (Non-Performing Loans) a melhorar de 28,1% em 2017 para 5,7% no 1.º trimestre de 2022”.

O banco suíço considera que “seria de esperar mais atualizações de rating porque o Novobanco é agora criador de capital, o que é uma mudança radical desde 2021, o que significa que a sua meta a médio prazo de ter um rácio de CET1 acima de 12%  poderá ser potencialmente atingida no final do ano de 2022”.

A Moody’s subiu em dois níveis o rating baseline credit assessment (BCA) do Novobanco, de caa1 para b2. Este rating mede a probabilidade de um banco necessitar de apoio para evitar o incumprimento para além do apoio fornecido pelos seus acionistas. A subida de rating neste caso reflete o sucesso do banco na concretização do seu plano de reestruturação, que visava manter o banco em funcionamento até 2021.

O outlook dos ratings dos depósitos e dívida sénior sem garantia a longo prazo (long-term deposit e da long-term senior unsecured debt) mantêm-se inalterados em positivo.

A subida de dois níveis de rating na classificação de crédito da Moody’s reflete “o melhor perfil de crédito do Novobanco como resultado da contínua redução do risco do balanço e da significativa reestruturação das operações nos últimos anos”, segundo a agência de rating.

Também o banco norte-americano Citi comentou a subida de rating do Novobanco pela Moody’s. “As perspetivas futuras [outlook] permanecem positivas, dada a expectativa de uma melhoria do rácio de NPL [malparado] e da rentabilidade [ROE]. A subida dos ratings reflete a melhoria  do perfil de crédito do Novobanco e justifica a continuidade da marca com a redução do risco do balanço, e embora o stock de NPLs e de ativos imobiliários permaneça elevado, a trajetória é positiva”, considera o Citi.

Além disso, o Citi lembra que a Moody’s destaca o sucesso do plano de reestruturação, bem como a melhoria da rentabilidade e da importância do banco.

O Citi considera que “é globalmente positivo ver o rating sénior do Novobanco entrar na classificação de rating Single-B e ver o comentário da Moody’s sobre o facto de ser um banco que conseguiu chegar até aqui em funcionamento (que há muito tempo era a nossa opinião)”.

“Ao atualizar o rating Baseline Credit Assessment, a Moody’s também considerou o plano estratégico do banco e os objetivos declarados publicamente pela administração, bem como a confirmação de um regresso contínuo e consistente à rentabilidade estável, o que ajudou dissipar algumas preocupações sobre a viabilidade do negócio do banco”, frisam o Citi e o Credit Suisse, citando a agência de rating.

O banco norte-americano refere que, “embora este não seja um mercado para bancos mais pequenos e menos líquidos, notámos a recente Oferta de Preferred Senior de outros bancos periféricos, e pensamos que os fundamentos do Novobanco continuarão a melhorar e que será capaz de cumprir o seu plano de capital para este ano através de uma combinação de vendas de imóveis, venda de sedes, e otimização do RWA (ativos ponderados pelo risco)”.

A Moody’s subiu ainda as notações de ratings da dívida sénior sem garantia de longo prazo (long-term senior unsecured debt) do Novobanco de Caa2 para B3, e dos depósitos a longo prazo (long-term deposit) de B2 para Ba3.

Foram também melhorados os ratings da dívida subordinada com prazo de maturidade de Caa2 para para B3; o Risco de Contraparte (CR) de longo prazo que passou de B1 para Ba2 e os Ratings de Risco de Contraparte (CRR) de B1 para Ba2.

As perspetivas sobre as notações de depósito a longo prazo e de dívida sénior sem garantia permaneceram positivas. No que diz respeito à ação de notação, de acordo com a Moody’s, esta reflete a melhoria do perfil de crédito do Novobanco “em resultado do contínuo de-risking do seu balanço e da reestruturação significativa das suas operações, ao longo dos últimos anos”, lembra o Credit Suisse.

Na atualização das notações, a Moody’s também considerou que, desde o ano passado, o Novobanco revelou publicamente a sua estratégia financeira destinada a promover os seus fundamentais financeiros, o que tem produzido resultados positivos, e isto contribui para dissipar as preocupações sobre a solidez do banco, lembra o Credit Suisse no seu research, parafraseando a agência de rating.

A Moody’s salientou a melhoria significativa das métricas de qualidade dos ativos do Novobanco e os níveis de rentabilidade melhorados, com o banco a apresentar lucros durante cinco trimestres consecutivos desde o início de 2021.

O Credito Suisse lembra que a Moody’s espera no entanto um abrandamento no ritmo de redução das NPAs (Non-Performing Assets), o que para além do crédito inclui os imóveis e outros ativos, devido à gradual retirada das medidas de apoio público que foram postas em prática durante a pandemia.

Além disso, as pressões da inflação, tanto sobre o poder de compra das famílias como sobre os lucros das empresas podem também ter influência na qualidade dos ativos do banco, avisou a Moody’s.

De acordo com a Moody’s, a capacidade de absorção de perdas do Novobanco permanece fraca quando comparada com o seu ainda fraco perfil de risco dos ativos, lembra o Credit Suisse. Mas a rentabilidade do Novobanco melhorou significativamente como resultado da reestruturação das operações do banco.

No que diz respeito às perspetivas positivas, a Moody’s disse que reflcte a sua visão de que a qualidade de crédito do banco, e em particular o risco dos seus ativos e solvabilidade medida pelos rácios de capital, podem continuar a melhorar ao longo do horizonte da perspetiva.

A perspetiva positiva sobre os ratings de dívida sénior sem garantia (unsecured) do banco também aponta para uma pressão positiva que poderá desenvolver-se se o banco emitir instrumentos subordinados para cumprir os seus requisitos mínimos de fundos próprios e passivos elegíveis (MREL), acrescentou a Moody’s.

A classificação do BCA – Baseline Credit Assessment, que mede a probabilidade de um banco necessitar de apoio para evitar o incumprimento para além do apoio fornecido pelos seus acionistas, pode ser melhorado se o banco continuar a fazer progressos na redução o seu stock de ativos problemáticos e na melhoria do seu capital e das suas métricas de rentabilidade, segundo a agência de rating.

“Uma atualização do BCA do Novobanco poderia desencadear uma atualização do rating dos depósitos a longo prazo e da dívida sénior do banco. “A emissão de volumes consideráveis de instrumentos de dívida bail-in-able (MREL) também poderia exercer pressão positiva sobre as notações da dívida sénior sem garantia do Novobanco”, refere a agência.

Os riscos de o rating poder cair surgem do enfraquecimento dos rácios de capital, o da degradação da qualidade dos ativos e/ou rentabilidade. Ou se a liquidez do banco sofresse um revés.

 

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