Credit Suisse espera ver taxas do BCE a subirem para 2,5% até ao primeiro trimestre de 2023

Os economistas do Credit Suisse admitem uma recessão no próximo ano e defendem que “a suspensão indefinida do fluxo de gás Nord Stream 1 da Rússia para a Europa é outro choque estagflacionista para a zona euro”.

O Credit Suisse revela que espera uma nova subida das taxas de juro do BCE em 75 pontos base (pb) em outubro e ver as taxas a 2,5% até ao primeiro trimestre de 2023, no relatório “European Economics Notes: A escassez de gás pode ainda ser evitada, mas políticas eficazes serão fundamentais”.

Na mais recente nova do banco sobre os atuais problemas do sector do gás e a evolução da sua procura/oferta na zona euro, na qual analisa possíveis cenários e respostas por parte dos decisores políticos europeus, o Credit Suisse defende que “a suspensão indefinida do fluxo de gás Nord Stream 1 da Rússia para a Europa é outro choque estagflacionista para a zona euro”.

“Isto significa que a recessão que estamos a prever, poderá ser ainda mais profunda do que a nossa previsão atual de -0,2% em 2023 e o declínio da inflação poderá ser um pouco mais lento”, dizem os economistas do Credit Suisse que consideram que o BCE não terá muitas opções, “a não ser continuar a aumentar as taxas de forma agressiva até à recessão. Esperamos outra subida de 75 bp em outubro e ver as taxas a 2,5% até ao primeiro trimestre de 2023”.

“O corte aumenta acentuadamente o risco de escassez absoluta – mas esta pode ainda ser evitada se forem conseguidas reduções suficientes da procura”, defende o Credit Suisse.

“Estimamos que os países da UE possam ter gás suficiente para o Inverno numa base agregada, dados os actuais níveis de armazenamento de cerca de 85% e fluxos elevados provenientes de outros locais – independentemente de a Rússia manter os fluxos da TurkStream & Ucrânia ou cortar completamente a oferta. Mas o gás não pode fluir livremente de países com excesso de gás para aqueles com falta de infraestruturas – por isso a exposição varia de país para país. A Alemanha parece particularmente exposta”, lê-se na nota.

Mais um a antever uma recessão

“Estimamos que a Alemanha possa necessitar de reduzir o consumo de gás até cerca de 15% em relação aos níveis habituais para evitar a escassez”, referem os economistas do banco suíço. Isto, dizem, “é muito desafiante, mas pode ser exequível, dadas as recentes reduções. No entanto, mesmo que se evitem as faltas totais, a subida dos preços do gás e da eletricidade continuará a pesar nos gastos dos consumidores e das empresas, levando provavelmente a economia a entrar em recessão”.

A dimensão da recessão na zona euro, e saber e se será possível evitar uma escassez absoluta “dependerá da rapidez e eficácia do apoio político”, segundo os mesmos analistas.

Os governos nacionais puseram em prática uma série de políticas para aliviar o impacto dos preços da energia nas empresas e nas famílias (quase 3% do PIB em 2022-23). A nível da UE, a Comissão Europeia estabeleceu um objetivo opcional de redução da procura de gás de 15% em julho e deverá revelar novas propostas na terça-feira (ou quarta-feira). “Estas incluirão certamente uma nova meta de redução da procura de eletricidade, redistribuição dos lucros de certos produtores de energia para utilizadores finais vulneráveis, apoio à liquidez dos serviços de utilidade pública e alguma forma de limitação dos preços da energia, tanto no gás russo apenas, como no gás/LNG de forma mais ampla”, refere o Credit Suisse.

O apoio político aumenta a pressão sobre as finanças públicas num ambiente de taxas de juro crescentes, embora os pormenores sobre a forma como várias medidas estão a ser financiadas sejam, por enquanto, escassos, dizem. “Isto pode ser problemático para a zona periférica, à medida que o BCE aumenta as taxas”, alerta.

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