Credit Suisse muda de CEO após prejuízos

O Credit Suisse disse esta quarta-feira que registou o terceiro prejuízo trimestral consecutivo e que vai mudar de CEO. O novo presidente executivo será Ulrich Koerner.

O Credit Suisse anunciou um novo CEO, Ulrich Koerner, que tem como missão implementar um novo plano de reestruturação no banco suíço, que fechou o segundo trimestre com um prejuízo superior ao estimado, de 1,59 mil milhões de francos suíços (1,62 mil milhões de euros).

O Credit Suisse divulgou os seus resultados do segundo trimestre nesta quarta-feira, 27, e já tinha alertado os investidores que ia ter prejuízos.

Este é o terceiro trimestre de prejuízo consecutivo da instituição financeira suíça. Segundo o banco, a causa desse resultado negativo é o deterioramento da situação económica na Europa e na Ásia.

O prejuízo de 1,59 mil milhões de francos suíços nos três meses até ao final de junho compara com o lucro de 253 milhões de francos suíços no mesmo período do ano passado. O banco registou ainda uma receita líquida de 3,65 mil milhões de francos suíços, abaixo dos 5,10 mil milhões francos suíços um ano antes e abaixo das expectativas dos analistas.

As receitas da banca de investimento caíram 43% e as receitas da unidade gestão de património caíram 34%.

No semestre, o segundo maior banco da Suíça reportou esta quarta-feira perdas de 1.866 milhões de francos suíços (1.914 milhões de euros) que atribuiu a gastos em processos de litigação e a fatores como a guerra na Ucrânia.

O banco com sede em Zurique reportou ainda depósitos (valores brutos) de janeiro a junho de 8.057 milhões de francos suíços (8.267 milhões de euros) o que corresponde a uma descida de 36% em relação a igual período de 2021.

O rácio de capital CET1 baixou para 13,5% em junho face a 13,7% no segundo trimestre de 2021, disse.

Thomas Gottstein, CEO do Credit Suisse desde 2020, demitiu-se hoje do cargo e vai ser substituído a partir de 1 de agosto por Ulrick Korner, anunciou hoje o banco envolvido em vários escândalos ainda em aberto.

O novo CEO, Ulrich Koerner, vem da divisão de gestão de ativos do banco e substituiu Thomas Gottstein que tinha chegado a CEO em 2020, após vinte anos no Credit Suisse, substituindo Tidjane Thiam, que tinha renunciado após um escândalo de espionagem.

Entre os problemas que Gottstein enfrentou durante o seu mandato está o caso da sociedade financeira britânica Greensil Capital que gerou uma perda de 10 mil milhões de dólares para o Credit Suisse.

Menos de um mês depois desse escândalo, o CEO teve que enfrentar outro problema com a Archegos, fundo de hedge americano, muito alavancado, que acabou por ter de ativar uma “margin call” [um pedido de garantia adicional quando a posição ou o investimento de um trader cai a pique] e que provocou uma perda de 5,5 mil milhões de dólares ao Credit Suisse.

O banqueiro português António Horta-Osório tentou reestruturar o banco suíço enquanto chairman, mas acabou por sair no princípio do ano.

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