Crédito Agrícola com lucros a caírem 51% para 37,5 milhões no primeiro trimestre

Esta redução de 50,7%, segundo o grupo, “é influenciada pelos resultados, não recorrentes, obtidos no 1º trimestre de 2021, relacionados com “ganhos líquidos com operações financeiras e com juros retroactivos, referentes a 2020, recebidos no âmbito do programa de financiamento do BCE – TLTRO III”. O ROE do Grupo CA fixou-se em 7,1% em março.

No primeiro trimestre de 2022, o resultado líquido do Grupo Crédito Agrícola cifrou-se em 35,7 milhões de euros, valor que compara com 72,5 milhões de euros registados no período homólogo. Esta redução de 50,7%, segundo o grupo, “é influenciada pelos resultados, não recorrentes, obtidos no 1.º trimestre de 2021, relacionados com ganhos líquidos com operações financeiras, no valor de 51,3 milhões de euros, e com juros retroativos, referentes a 2020, recebidos no âmbito do programa de financiamento do BCE – TLTRO III no valor de oito milhões de euros”.

Para este resultado, o negócio segurador contribuiu com os resultados líquidos de 2,7 milhões de euros da CA Vida e de 3,4 milhões de euros da CA Seguros.

No 1.º trimestre de 2022 “a rentabilidade de capitais próprios consolidados (ROE) do Grupo Crédito Agrícola cifrou-se em 7,1% (face a 15,1% no 1.º trimestre de 2021 e a 8,1% no ano de 2021), reflexo dos resultados obtidos nas diferentes componentes do Grupo (Caixas Agrícolas, Caixa Central, companhias de seguros vida e não vida e gestão de ativos e fundos de investimento)”, explica o banco liderado por Licínio Pina.

O Crédito Agrícola explica que os resultados registados nos veículos de desinvestimento imobiliário (nomeadamente via desvalorização de unidades de participação) penalizaram os resultados consolidados em 3,6 milhões de euros, uma evolução desfavorável de 53,4% correspondente a 1,2 milhões de euros, face ao período homólogo.

O produto bancário caiu 27% num ano para 132,2 milhões de euros, sendo que a receita core (margem e comissões), no primeiro trimestre de 2022, registou um crescimento de 7%, ou 8,8 milhões de euros, face ao período homólogo, para 134,5 milhões de euros. “Este crescimento foi impulsionado pelo bom desempenho da margem técnica do negócio segurador, que apresentou um crescimento homólogo de 13,1 milhões de euros, bem como das comissões líquidas, que cresceram 23,3%, ou 6,3 milhões de euros, face ao 1.º trimestre de 2021, essencialmente impulsionadas pelo aumento de transacionalidade de cartões e pelo crescimento observado no crédito”, diz o grupo.

Em sentido inverso, a margem financeira, que alcançou 75,3 milhões de euros no primeiro trimestre de 2022, reduziu 12,3%, ou 10,5 milhões de euros, face ao período homólogo, explicado em grande medida pelo proveito não recorrente registado no 1.º trimestre de 2021 relacionado com os juros retroativos, referentes a 2020, recebidos no âmbito do programa de financiamento do BCE – TLTRO no valor de 8,0 milhões de euros.

Os resultados das operações financeiras decresceram de 51,3 milhões no 1.º trimestre de 2021, o que o banco diz ser “um desempenho possibilitado pelas condições de mercado particularmente favoráveis, para perdas líquidas de 5,8 milhões de euros no 1.º trimestre de 2022, decorrentes da deterioração do valor de mercado de ativos financeiros e derivados de cobertura, bem como de unidades de participação em fundos de investimento imobiliário detidas”.

No lado dos custos do Crédito Agrícola refere que os custos de estrutura atingiram os 90,7 milhões de euros no 1.º trimestre de 2022, um acréscimo de 4,4%, ou 3,8 milhões, por comparação com o 1.º trimestre de 2021. “Este acréscimo foi impulsionado principalmente pelos gastos gerais administrativos, que registaram um crescimento de 13,2%, ou 3,2 milhões de euros, relacionado com o aumento de atividade, o esforço de digitalização de processos, e a resposta aos requisitos regulamentares”, refere o grupo.

Os custos com pessoal permaneceram relativamente estáveis, com um ligeiro aumento de 0,5% (0,3 milhões de euros), tendo as amortizações do exercício aumentado 3,6% (0,3 milhões de euros).

Com isto, o rácio de eficiência core, no 1.º trimestre de 2022, fixou-se nos 67,5%, traduzindo uma melhoria de 1,7 p.p. face aos 69,2% no 1º trimestre de 2021.

O Crédito Agrícola reporta também que no decorrer do primeiro trimestre de 2022, as imparidades e provisões do exercício resultaram numa reversão líquida de 2,6 milhões de euros, o que compara com um reforço de 6,4 milhões de euros verificado no primeiro trimestre de 2021, resultando numa redução de 9,0 milhões de euros face ao período homólogo. “O comportamento desta rubrica é justificado, essencialmente, por uma diminuição de 11,4 milhões de euros nas imparidades específicas de crédito (decorrente da redução do peso da exposição de crédito em nível de risco 3, em concreto de 6,9% em março de 2021 para 5,7% em março de 2022), observando-se, igualmente, a anulação de créditos considerados irrecuperáveis, efeito que foi parcialmente atenuado pelo acréscimo de 2,1 milhões de euros nas imparidades da carteira de títulos e pelo aumento de 0,3 milhões de euros nas provisões do exercício”, explica a instituição.

Durante o primeiro trimestre de 2022, o custo do risco de crédito cifrou-se em -0,03%. A diminuição de 10 pontos base neste indicador resulta da redução expressiva das imparidades específicas de crédito constituídas durante este período.

O rácio bruto de Non Performing Loans (NPL)do Grupo Crédito Agrícola situou-se em 6,7%, “registando uma evolução favorável de 0,5 p.p. face aos 7,2% que se verificavam no final de 2021, o que evidencia a contínua melhoria da qualidade da carteira de crédito do Grupo”, refere o comunicado.

A cobertura de NPL por imparidades de NPL e colaterais (FINREP) aumentou para 88,9%, ou seja, 1,3 p.p. acima do verificado no fim de 2021.

Em março, os níveis de solidez e liquidez do Grupo Crédito Agrícola mantinham-se “acima dos níveis mínimos recomendados, tendo sido reportados rácios CET1 e de fundos próprios totais de 18,8% (incluindo resultado líquido do exercício de 2021), um rácio de alavancagem de 8,2%, um rácio de cobertura de liquidez (LCR) de 429,0% e um rácio de financiamento estável (NSFR) de 155,2%”.

O Crédito Agrícola refere ainda que o captou cerca de 2.400 novos clientes empresas e de 22.600 clientes particulares adicionais, em termos líquidos, incluindo o contributo do moey!, lançado em 2019 para reforçar a presença nos mercados urbanos e jovens.

Lícinio Pina, Presidente do Grupo Crédito Agrícola, no comunicado destaca que “importa clarificar que os resultados líquidos extraordinários, assinalados no primeiro trimestre de 2021, com os quais comparam os atuais, resultaram da concretização de proveitos não recorrentes, em particular os relacionados com a alienação de aplicações financeiras, possibilitados pelas condições de mercado verificadas, bem como com o recebimento de juros retroativos da operação de financiamento TLTRO III junto do BCE”.

“Feito este esclarecimento, posso afirmar que o Grupo Crédito Agrícola mantém níveis de crescimento sustentáveis, ano após ano”, adianta o presidente da instituição.

“O Banco tem vindo a reforçar os seus fundos próprios e a crescer quer no segmento empresas quer juntos dos particulares e em concreto em mercados e segmentos mais jovens e urbanos. É nosso objetivo manter esta boa performance do Crédito Agrícola e, em simultâneo, o nosso contributo social e progressivamente ecológico para com as comunidades onde nos encontramos”, garante Licínio Pina.

O ativo total do Grupo Crédito Agrícola fixou-se nos 26,7 mil milhões de euros, dos quais 11,7 mil milhões de euros correspondem à carteira de crédito (bruto) a clientes, representando um crescimento de 0,2% face a dezembro de 21 e de 3,5% nos últimos 12 meses. O aumento homólogo de 396 milhões de euros no crédito bruto concedido “reflete a continuação do apoio prestado pelo Grupo Crédito Agrícola à economia nacional e a sua dinâmica comercial, num contexto macroeconómico incerto, ampliado pela invasão da Ucrânia pela Rússia”, diz a instituição.

A quota de mercado em crédito concedido a clientes aumentou em 5 pontos base, em termos homólogos, para 5,84%.

Os recursos de clientes sob a forma de depósitos bancários totalizavam aproximadamente 19,4 mil milhões de euros, registando um crescimento de 10,9% face ao período homólogo, correspondente a 1,9 mil milhões de euros e proporcionando um aumento de quota de mercado de 7,95% no 1.º trimestre de 2021 para 8,28% no 1.º trimestre de 2022.

“Tendo-se verificado um aumento anual dos recursos de clientes (+1.910 milhões de euros) superior ao do crédito líquido concedido a clientes (+456 milhões de euros), o rácio de transformação prosseguiu na sua trajetória de redução, atingindo 59,0% no final de março de 2022, o que compara com 59,2% em dezembro de 2021 e com 62,8% em março de 2021, um decréscimo anual de 3,8 p.p.”, lê-se no comunicado.

“Através da implementação de uma estratégia coordenada entre as 75 Caixas de Crédito Agrícola Mútuo que o compõem, o Grupo CA prossegue comprometido na dinamização da economia das regiões, cidades e vilas portuguesas, bem como em contribuir para a coesão social e territorial de Portugal”, refere a instituição.

O grupo recorda que a Caixa Central de Crédito Agrícola tem uma notação de rating (baseline credit assessment ou BCA) da Moody’s de nível Ba1. A notação BCA é complementada com a notação de depósitos Baa3 Outlook Estável/P-3, notação Counterparty Risk Rating (CRR) de Baa2/P-2, e notação Counterparty Risk Assessment de Baa1(cr)/P-2(cr), todos com grau de investimento.

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