Crédito ao consumo volta para níveis pré-crise, à boleia de carros novos

O Banco de Portugal (BdP) considera que o elevado endividamento público e privado é uma das maiores fragilidades da economia portuguesa. O regulador bancário considera que o “processo de ajustamento” deve continuar, até porque o início do ano mostrou uma aceleração do crédito ao consumo.

Num relatório de estabilidade financeira publicado hoje, o regulador bancário sublinha que, na primeira metade do ano, foi evidente uma “uma aceleração da concessão de novos empréstimos, quer no caso dos particulares, quer das sociedades não financeiras de menor dimensão”.

No caso dos particulares, a aceleração referida foi sobretudo evidente no segmento do crédito ao consumo. “O rácio das novas operações de crédito ao consumo sobre o consumo privado tem denotado uma trajetória ascendente, situando-se em valores próximos dos observados antes da crise da dívida soberana”, frisa o relatório.

Observou-se um aumento “especialmente significativo” das vendas de veículos automóveis de passageiros, que terá estado associado ao efeito de antecipação resultante do anúncio, em fevereiro de 2016, do aumento do Imposto Sobre Veículos (ISV) que entrou em vigor em abril deste ano. Os novos créditos para compra de automóveis subiram 4,7% no primeiro trimestre deste e 4,4% no segundo, mas o crescimento já vinha de trás. Quanto à taxa de poupança das famílias, diminuiu para níveis mínimos desde 1999, assinala o BdP.

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