Crédito y Caución prevê que as economias emergentes cresçam apenas 3,6% em 2022

A Crédito y Caución prevê que a economia russa sofra uma contração de 8,0% em 2022 e que a expansão da China abrande até aos 4,0% em 2022.

Adi Constantin on Unsplash

A Crédito y Caución prevê que o crescimento das economias emergentes diminua de 7,0% em 2021 para 3,6% em 2022. O relatório analisa a Rússia, a China, o Brasil, o México, a Turquia, a Índia e a África do Sul.

A seguradora prevê que a economia russa sofra uma contração de -8,0% em 2022 e que a expansão da China abrande até aos 4,0% em 2022.

“Aos riscos de escassez de alimentos nestas regiões devido à guerra na Ucrânia somam-se outros problemas, como os constrangimentos na cadeia de fornecimento, as baixas taxas de vacinação em comparação com as economias avançadas, a retirada dos estímulos fiscais e o aumento das taxas de juro oficiais por parte dos bancos centrais em resposta à inflação”, revela a seguradora de riscos de crédito.

A Crédito y Caución espera que em 2023 o crescimento médio dos mercados emergentes volte a acelerar até aos 4,1%, graças à recuperação do crescimento na Europa de Leste e à mitigação das restrições sanitárias na Ásia.

Segundo a seguradora, devido à guerra na Ucrânia e às sanções impostas à Rússia, é provável que a Europa de Leste sofra uma contração de -0,7% do PIB em 2022, seguida de um crescimento de 1,1% em 2023.

A Crédito y Caución prevê ainda que a economia russa contraia -8,0% em 2022, seguida de outra descida de -2,8% em 2023. “As sanções privam o país de componentes industriais muito necessários, mas a Rússia continua a exportar grandes quantidades de energia”, refere a seguradora.

Após crescer 8,1% em 2021, o relatório divulgado pela seguradora de crédito prevê que a expansão económica da China abrande até aos 4,0% em 2022.

“Apesar da taxa de vacinação abranger 90% da população, é previsível que a estratégia de Covid zero continue a perturbar as cadeias de fornecimento e a procura interna durante os próximos meses”, alerta a Crédito y Caución.

O mercado imobiliário chinês também está a viver um importante retrocesso, lembra a seguradora que defendende que, em resposta à queda do crescimento, prevê-se que a Administração chinesa aumente os estímulos fiscais, o investimento em infraestruturas e adote uma política monetária menos rígida.

“Neste contexto, o crescimento evoluirá até aos 5,3% em 2023. Graças às grandes reservas de cereais e de petróleo, o impacto da inflação mundial na China é limitado. No entanto, a queda da procura internacional limitará o crescimento das exportações chinesas a 2,2% em 2022, face aos 18,2% de 2021”, constata a Crédito y Caución.

A Crédito y Caución prevê ainda que o crescimento do PIB da Índia abrande até aos 6,8% em 2022, face aos 8,3% alcançados em 2021. “O aumento da inflação coloca sob pressão a despesa das famílias e aumenta a fatura das importações”, refere a companhia de seguros do grupo Iberinform. “O Banco Central indiano está a entrar numa fase de endurecimento da sua política monetária, embora as taxas de juro reais continuem negativas e a Administração tenha anunciado diversas medidas fiscais que irão elevar a dívida pública aos 90% do PIB”, refere o estudo.

O relatório da seguradora de crédito prevê que o crescimento do PIB no Brasil se limite a 1,8% em 2022, face aos 4,9% de 2021. Sendo que as perspetivas de crescimento pioraram devido à incerteza gerada pelo ciclo eleitoral e à elevada inflação, em máximos das últimas duas décadas. “A despesa dos consumidores abrandou bruscamente a partir do segundo semestre de 2022, prevê-se que o banco central, que já aumentou as taxas de juro em mais de dez pontos percentuais no último ano, aplique novas subidas em agosto até elevar as taxas de juro oficiais a 13,25%”, segundo a análise.

“A Administração que resultará dos próximos atos eleitorais [no Brasil] enfrentará o desafio de reduzir o rácio da dívida pública, nos 81% do PIB, e equilibrar a consolidação fiscal sem esquecer as políticas sociais associadas ao aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis”, acrescenta.

Já o crescimento no México, que se apoia no consumo de bens não duradouros e nas exportações não automobilísticas, irá moderar-se até aos 1,8% em 2022 baixando dos 5,0% alcançados em 2021. Para limitar a inflação, prevê-se que o Banco Central situe as taxas de juro nos 9,0% no final de 2022. Com a dívida pública nos 52%, a Administração mexicana conta com espaço de manobra fiscal e introduziu mecanismos temporais para controlo dos preços e isenções fiscais sobre os combustíveis.

Na Turquia, a Crédito y Caución prevê que o crescimento se reduza a 3,0% em 2022. “O aumento da inflação, que ultrapassou os 70%, está a destruir rapidamente o poder aquisitivo e a pesar sobre a procura dos consumidores. As exportações abrandaram, mas continuam a contribuir positivamente para o crescimento”, diz o relatório.

“Embora as autoridades tenham pedido às empresas locais para congelarem os preços e estejam a estudar a possibilidade de limitar os aumentos nos arrendamentos, o relatório indica que a inflação ainda tem de alcançar um ponto máximo”, acrescenta. O Banco Central da Turquia mantém uma política monetária relaxada, com a taxa de juro real profundamente negativa.

Por sua vez, na África do Sul, vários fatores pesam sobre o PIB, como as limitações logísticas, o enfraquecimento da procura externa, a inflação, as inundações, o aumento da dívida pública ou o risco de estagflação, constata a seguradora. Após um crescimento de 4,9% em 2021, prevê-se que o crescimento do PIB se reduza para 2,1% em 2022 e 1,3% em 2023. A taxa de vacinação no país continua baixa (31%), o que aumenta o risco de novas restrições.

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