Credores da Oi opõem-se à nova proposta de recuperação

A Oi aprovou mudanças no plano de recuperação publicado em setembro de 2016, prevendo pagamentos aos bancos num máximo de 16 anos e a entrega a detentores de títulos de até 38% das ações da companhia, após três anos.

Três grupos de credores internacionais da Oi vieram esta sexta-feira a público recusar o novo plano de recuperação judicial apresentado pela operadora de telecomunicações ao mercado na última quarta feira. Alegam que a proposta atende apenas aos interesses dos atuais donos.

“Após ter revisto cuidadosamente as informações divulgadas pela Companhia Oi, os grupos de obrigacionistas da Oi opõem-se veementemente aos termos propostos, pois consideram que deixam de tratar os credores de forma justa e equitativa, enquanto promovem os interesses de seus atuais acionistas, em detrimento de todas as outras partes interessadas”, afirmam o Comité Internacional de Obrigacionistas e o Grupo Ad Hoc de Obrigacionistas da Oi, numa nota distribuída à imprensa brasileira.

Outro consórcio de credores também recusou a oferta. Reunido pela FTI Consulting, o chamado Grupo FTI, “também entende que os termos proposto são inaceitáveis e demasiadamente favoráveis aos acionistas atuais”, dizem, citados pela imprensa local.

A opinião de todos eles é que a administração e o conselho de administração da Oi “continuam a ignorar os melhores interesses do Grupo Oi, na medida em que, entre outros, deixam de propor planos que possam contar com o apoio de seus credores”.

Esses grupos, juntos, representam mais de 6 mil milhões de dólares de dívida emitida pelo Grupo Oi. O Comité Internacional detém mais de 2,2 mil milhões de dólares emitidos pela Oi Brasil Holdings Coöperatief U.A., Portugal Telecom International Finance B.V. e outras sociedades do Grupo Oi. O Grupo Ad Hoc detém mais de 3 mil milhões de dólares de obrigações emitidas por vários empresas do Grupo Oi. O Grupo FTI detém mais de 950 milhões de dólares de dívida do Grupo Oi.

A nova proposta prevê a conversão de obrigações em acções – uma parte de imediato (até 25% do capital),  após a aprovação do plano, e a outra após três anos (até 38% do capital) com origem numa emissão de obrigações convertíveis. Este grupo subscreve, ainda, outra emissão de obrigações não convertíveis, cuja maturidade está fixada em 2027.

Para os credores que não queiram converter a dívida em acções, a Oi propõe-se pagar a totalidade das obrigações até 2033. Até 2023 haverá período de carência dos juros e, depois, durante 10 anos, será efectuada a amortização, semestralmente, com uma taxa de juro de 1,25%.

A Oi avançou a 20 de Junho de 2016 com um pedido de recuperação judicial no valor de 65 mil milhões de reais (19,4 mil milhões de euros).

 

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