Criação da zona de livre comércio em África é um milagre, diz presidente do Afreximbank

O acordo que institui a zona de livre comércio em África entrou em vigor no ano passado, depois da ratificação pela maioria dos países aderentes, e engloba um mercado com 1,3 mil milhões de habitantes, abarcando todo o continente.

Paul Kagame

O presidente do Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank) considera que a criação da zona de livre comércio continental é um milagre e que se a Europa quer atacar as mudanças climáticas, deve apoiar o acordo.

“Negociámos um acordo desta natureza, entre 55 países, não é fácil, é um milagre estarmos onde estamos hoje, termos um acordo assinado entre 55 países, uns pequenos, outros grandes, onde nada é uniforme, com diferentes passados coloniais e sistemas legais e de pensamento, é um milagre termos chegado até aqui”, disse Benedict Oramah, em entrevista à Lusa, à margem da sua participação no Fórum Eurafrica, que decorreu na quinta e na sexta-feira em Carcavelos, nos arredores de Lisboa.

O acordo que institui a zona de livre comércio em África entrou em vigor no ano passado, depois da ratificação pela maioria dos países aderentes, e engloba um mercado com 1,3 mil milhões de habitantes, abarcando todo o continente.

“O ponto em que estamos empenhados agora é o mecanismo de ajustamento, para ser mais fácil aos países de baixo rendimento adaptarem-se ao regime mútuo em termos da remoção de tarifas alfandegárias, que fará descer as receitas orçamentais; é um instrumento muito importante, porque no fim de contas é o que faz com que as fronteiras fiquem abertas ou fechadas”, disse o presidente do Afreximabank, que aprovou uma alocação de mil milhões de dólares, sensivelmente o mesmo em euros, para acomodar a perda de receita de alguns Estados.

“Temos muita esperança no AfCFTA, porque é a maneira mais rápida de África chegar à emissão de carbono zero”, argumentou Oramah, lembrando que o envio de navios de carga é o terceiro responsável pelas emissões de gases nocivos para a atmosfera.

“O ‘shipping’ é o terceiro maior emissor de gás com efeito de estufa, a seguir à China e aos Estados Unidos, por isso a ideia de levar materiais de África para a Europa, a China ou a América por barco, e depois voltar a trazer os produtos transformados está a poluir o ambiente”, afirmou, acrescentando que “se os europeus estão realmente empenhados na mudança climática e na mitigação das alterações climáticas, deviam apoiar o acordo para África ter cadeias de valor regionais”, que assim poupariam também nas emissões poluentes, concluiu.

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