“Crise demográfica é porventura a mais grave de Portugal”. Gonçalo Saraiva Matias defende atração de talento estrangeiro

O inverno demográfico vem aí: como lidar com a crise demográfica? Pela via natural, Gonçalo Saraiva Matias avisa que não é apenas uma questão de dinheiro e antecipa que os efeitos das novas políticas seriam demorados. Defende, pois, que a única resposta no imediato é apostar nas migrações.

Depois de o país ter passado as últimas décadas a perder população tanto pela via natural, como em termos migratórios, a crise demográfica “é hoje porventura a mais grave que vivemos”. Quem o diz é o presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, Gonçalo Saraiva Matias, que defende que no imediato “a única forma” de responder a essa situação é apostar nas imigrações, nomeadamente com a criação de uma nova agência que promova Portugal no estrangeiro enquanto destino de trabalho.

“Portugal tem um problema sério [a nível] demográfico, porque a nossa pirâmide populacional é das mais envelhecidas da Europa”, começou por explicar o responsável esta sexta-feira, numa intervenção na conferência de aniversário do Jornal Económica.

Gonçalo Saraiva Matias notou, contudo, que “não há talvez uma consciência absoluta” da população portuguesa para esta crise, uma vez que outros problemas mais imediatos têm tomados as atenções, e deixou um aviso: “a crise demográfica coloca em causa o modelo de crescimento e a sustentabilidade do desenvolvimento do país”.

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Perante esta situação, o líder da Fundação Francisco Manuel dos Santos defendeu que “despejar dinheiro” nos bolsos das famílias não é solução, até porque, pela via natural, o efeito seria sempre de médio-longo prazo. “A única forma de atacar a crise demográfica é através da migração”, enfatizou, assim, o responsável.

Nesse sentido, Gonçalo Saraiva Matias sugeriu a criação de uma nova agência para as migrações, com vista a promover a imagem do país no estrangeiro enquanto destino de trabalho, o que contribuiria também para a resolução do desafio do talento e das qualificações. “O que não pode acontecer é estarmos à procura de atrair pessoas qualificadas e, depois, estas ficarem um ano à espera de um visto”, realçou, criticando a morosidade do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). “É absolutamente inadmissível”, insistiu.

De notar que recentemente o Governo tomou várias medidas no sentido de acelerar a atribuição dos vistos, numa altura em que a generalidade dos setores registam escassez de mão-de-obra. Em declarações ao Jornal Económico, os empresários deixaram elogios, mas também um alerta: é preciso que também a operacionalização dessas medidas seja célere.

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