Crise: Padarias alemãs enfrentam “tsunami de custos” que pode ser fatal

O administrador da Associação Central do Comércio Alemão de Panificação, Daniel Schneider, sublinha, em declarações à agência lusa, que a situação nas padarias no país é “extremamente tensa”, acrescentando que “a pressão dos custos e a incerteza são enormes”.

O sector da panificação na Alemanha enfrenta um “tsunami de custos” que “dificilmente pode ser gerido sem ajuda estatal”, aponta associação do sector, que alerta que os encerramentos podem ser inevitáveis.

O administrador da Associação Central do Comércio Alemão de Panificação, Daniel Schneider, sublinha, em declarações à agência lusa, que a situação nas padarias no país é “extremamente tensa”, acrescentando que “a pressão dos custos e a incerteza são enormes”.

“As empresas têm de lidar com aumentos de custos gerais – os preços das matérias-primas, os aumentos de preços da eletricidade e do gás e o aumento dos custos de pessoal são imensos”, apontou, detalhando que algumas utilizam eletricidade nos seus fornos, mas 70% usam gás.

“Os preços da eletricidade e do gás subiram e continuam a subir acentuadamente, com alguns preços da energia a quadruplicarem. Este enorme aumento é perigoso e muitas empresas não sabem como lidar com ele”, alertou.

Além disso, as padarias enfrentam o aumento dos custos das matérias-primas, como o açúcar, a manteiga, a farinha e o leite, e a subida dos custos com pessoal, já que o salário mínimo foi elevado recentemente na Alemanha, para 12 euros por hora.

Marco Ferreira, proprietário do “Natas Berlim”, que abriu há cerca de dois anos na capital alemã, afirma que mais de metade dos produtos que usa para confecionar os pães e bolos aumentou de preço. Além disso, viu os custos com a energia crescerem cerca de 13%.

“Posso tentar poupar na iluminação, ou até nos fornos, mas os frigoríficos têm de ficar ligados durante a noite, por exemplo. Se fosse a acompanhar o aumento dos preços, já tinha subido o valor dos meus produtos. Mas estou a tentar evitar”, confessou à agência Lusa.

O empresário português subiu os preços em abril e admite ter de fazer um reajustamento no mês de janeiro. Até lá, vai “segurar” as mesmas contas para os clientes diretos e para os cafés e restaurantes para os quais vende.

Daniel Schneider admite que o aumento dos custos “não pode ser simplesmente transferido para os clientes”.

“Quando o pão e os bolos se tornam demasiado caros, muitos consumidores já não os podem pagar ou passam a comprar diretamente nos supermercados”, disse Ferreira, avisando que “já existem rumores de que algumas empresas estão a fechar.”

“É de temer que, devido à atual situação difícil, não sejam fundadas novas empresas. É de lamentar cada padaria artesanal que fecha, porque cada padeiro é um pilar importante no abastecimento local da população que se perde. Os padeiros têm um papel especial, principalmente nas zonas rurais”, lamentou o administrador da Associação Central do Comércio Alemão de Panificação.

Schneider admite que algumas medidas em estudo, como limitar os preços do gás e da eletricidade em março de 2023 retroativamente, podem não ser suficientes para ajudar todas as empresas em crise, apelando a uma ação rápida do Estado que deve passar, por exemplo, por utilizar subsídios para evitar uma situação que “ameace a existência de padarias artesanais”.

Outra das propostas da associação é criar um fundo para as empresas em dificuldade até meados de novembro, ou a criação de um travão de preços para as padarias que utilizem outras fontes de energia que não o gás, como o óleo de aquecimento ou os ‘pellets’ de madeira.

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