CTT admitem vender posição minoritária no banco a parceiro estratégico

As metas para 2025 dos CTT incluem uma parceria minoritária no banco, um acordo exclusivo com uma seguradora, uma parceria no imobiliário e distribuir entre 35% e 50% do resultado líquido em dividendos.

Presidente executivo dos CTT – Correios de Portugal, João Bento | Cristina Bernardo

A informação consta de um documento publicado no site da CMVM a anunciar que realizam hoje o seu Capital Markets Day 2022 “durante o qual a equipa de gestão analisará a estratégia de transformação contínua ancorada em serviços contratuais e comerciais, apresentando a nova estratégia e os objetivos ESG (Ambiente, Social e Governo) e financeiros para o período de 2022-25”.

No documento, os CTT – Correios de Portugal dizem que estão à procura de um parceiro estratégico para o Banco CTT, confirmando uma notícia já avançada em edição anterior pelo Jornal Económico.

Os CTT dizem que receberam “várias ofertas de parceria estratégica para acelerar o potencial de crescimento do Banco CTT” e que “os CTT estão a considerar celebrar uma parceria estratégica no Banco CTT, reservando o aumento de capital a um potencial parceiro no Banco CTT em troca de uma participação minoritária e alocando as receitas a novas iniciativas empresariais”.

Paralelamente, os CTT querem “estabelecer um acordo de distribuição de seguros, que será de natureza exclusiva e de longo prazo, com o potencial parceiro abrangendo as categorias vida e não vida, e as redes de retalho tanto dos CTT como do Banco CTT”.

 

Plano Estratégico até 2025

No documento, é detalhada a estratégia dos CTT e as metas para os próximos anos.

A empresa cotada pretende pagar aos acionistas entre 35 e 50% do resultado líquido em dividendos de carácter recorrente.

No plano estratégico os CTT dizem-se preparados e orientados para o crescimento.

“As alterações no sector, devidas nomeadamente à digitalização e à mudança dos hábitos e expectativas dos consumidores, criaram oportunidades que os CTT estão preparados para aproveitar, dada a profunda transformação que têm vindo a implementar”, refere a empresa liderada por João Bento.

“Os três grandes marcos que moldaram a nossa transformação nos últimos tempos são o turnaround das operações de expresso e encomendas (E&E) em Espanha, em que se conseguiu recuperar quota de mercado, aumentar as receitas e atingir o breakeven ao nível do EBITDA em 2021; o crescimento contínuo do Banco CTT, que se está a transformar num player de referência no crédito ao consumo e a melhorar a rentabilidade, tendo já atingido um ROTE positivo em 2021; e o acordo relativo ao novo contrato de concessão do serviço postal universal, que providencia os instrumentos adequados para aspirar a alcançar um negócio de correio mais sustentável”, lê-se no documento.

“No seu caminho para o futuro, os CTT são uma empresa bem diversificada, exposta a crescimento, orientada para capturar a oportunidade do e-commerce ibérico com uma oferta integrada de one- stop-shop, para aproveitar a sua rede de proximidade e confiança para satisfazer as necessidades financeiras e de retalho dos clientes B2C através de múltiplos canais, aumentando o enfoque na produtividade, eficiência e excelência do serviço ao cliente e ainda avançar na vanguarda das práticas ambientais, sociais e de governo”, explicam os CTT.

Para tal, serão alavancados os ativos estratégicos dos CTT, revela a empresa que detalha serem “uma força de vendas ibérica única, sustentada por um acesso universal aos clientes B2B e uma rede de retalho excecional; uma marca forte e de confiança tanto para pessoas como para empresas, e uma rede de distribuição de última milha sem igual, cada vez mais integrada a nível ibérico”, reforça a companhia.

“Num contexto de aumento e persistência dos riscos macroeconómicos e geopolíticos, o guidance para 2022 é reafirmado”, acrescenta o documento.

Os Correios estabeleceram as metas financeira e guidance para 2025. “Com base na estratégia delineada, os CTT irão manter o trajeto de transformação baseado numa profunda remodelação do seu perfil empresarial. Neste contexto, continuaremos a investir em projetos orientados para o crescimento e procuraremos alcançar um crescimento sustentado e significativo até 2025”, revela os CTT.

O que se deverá traduzir nalguns objetivos consolidados em 2025. Nomeadamente uma taxa de crescimento anual (CAGR) das receitas de 7% a 10% para atingir rendimentos operacionais do grupo no intervalo de 1.100 milhões  a 1.250 milhões de euros; um CAGR do EBIT de 14% a 19% para atingir um EBIT recorrente do grupo no intervalo de 100 milhões a 120 milhões;  um investimento consolidado cumulativo do Grupo de 160 milhões a 180 milhões de euros para o período de 2022-25, equivalente a 40 a 45 milhões por ano, “com o objetivo de aumentar a capacidade de tratamento em Portugal e Espanha, desenvolver a rede de cacifos em Portugal, desenvolver as TI para impulsionar melhorias na experiência do cliente e de eficiência, e melhorar a qualidade do serviço”.

“No âmbito de uma gestão prudente e adequada da sua posição financeira, os CTT estabelecem um quadro financeiro que, considerando o Banco CTT no perímetro da consolidação, visa manter a dívida financeira líquida a um EBITDA inferior a 2,5x”, anuncia a empresa.

Metas ESG 

A nível ambiental, os CTT prometem acelerar a trajetória de descarbonização para atingir zero carbono em termos líquidos até 2030 com 100% de veículos verdes na última milha, e 50% de veículos verdes e última milha até 2025.

No que toca à parte Social /Interno, os CTT incluem no plano a “preocupação com as pessoas e experiência de diversidade: (1) alcançar a paridade de género na gestão de topo e média até 2025, e tornar-se um dos principais empregadores em Portugal, alavancando a cultura centrada no trabalhador como uma das principais prioridades”.

No “Social/Externo”, os CTT prometem “a promoção ambiciosa da nossa comunidade local e permitir aos trabalhadores dos CTT passar três dias por ano em programas sociais e de voluntariado que conduzam a um impacto positivo nas comunidades locais”. Os CTT querem assegurar que 1% do EBIT seja investido em programas sociais até 2025.

Na lista de objetivos está a introdução de incentivos específicos ligados a objetivos ESG para 50% da gestão de topo e média até 2025.

Parceria no imobiliário 

Tal como foi anunciado no passado dia 19 de junho, os CTT têm como objetivo incorporar cerca de 400 ativos na nova entidade, tanto de retalho como de operações, cristalizando o seu valor, otimizando o retorno da gestão dos imóveis não utilizados e vagos e criando um veículo para financiar o potencial de crescimento para futuras oportunidades de construção de uma rede logística para os CTT.

Neste contexto, o portefólio de ativos dos CTT será incorporado numa nova entidade, (PropCo), na qual os CTT manterão uma participação maioritária.

“A PropCo será gerida por um Gestor de Ativos externo, e novo(s) investidor(es) entrarão na nova entidade, nomeadamente investidores institucionais e family offices, assumindo uma posição minoritária na PropCo”, reafirmam os CTT.

Na lista de compromissos dos CTT para 2022-25 está a promessa de ser uma empresa “melhor, mais rápida e mais verde”.

Os CTT comprometem-se a ser o operador de e-commerce de maior crescimento na Península Ibérica; a “maximizar o share of wallet de serviços contratuais e comerciais dos clientes de correio”; a atingir uma rentabilidade de 11% a 13%, medida pelo ROTE (Return on Tangible Equity), no Banco CTT; a ser “a plataforma de excelência de distribuição de serviços de proximidade”; a tornar-se “um empregador de topo, através de uma melhor experiência dos trabalhadores, maior diversidade, inclusão, saúde e segurança no local de trabalho”; a atingir zero carbono em termos líquidos até 2030 com 100% de veículos verdes na última milha; e “aliar de forma ótima a remuneração dos acionistas à capacidade de fazer crescer a empresa”.

 

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