Da esquerda à direita: o que dizem os partidos sobre as restrições no natal e ano novo?

Depois das medidas anunciadas as críticas começaram a surgir. Enquanto alguns partidos criticam o encerramento das discotecas outros referem o Serviço Nacional de Saúde.

Ajuntamentos limitados, creches, ATL e discotecas encerrados, são várias as medidas de contenção que foram anunciadas pelo Governo de forma a controlar o número de casos por Covid-19 . Da esquerda à direita os partidos não ficaram indiferentes e manifestaram-se sobre o assunto.

“Governo está a correr atrás do prejuízo”

O deputado social-democrata, Ricardo Baptista Leite afirmou que o Governo está a “correr atrás do prejuízo” ao pedir a que os portugueses respondam “à falta de planeamento” no reforço da vacinação com a contenção de contactos.

O cabeça de lista do PSD por Lisboa lembrou que o partido tinha “alertado no final do verão para a necessidade de planear as doses de reforço”. “Infelizmente, estamos a poucos dias do Natal e esse trabalho ainda não foi feito, agora estamos a correr atrás do prejuízo”, completou.

Ricardo Baptista leite considerou ainda que “está um pouco nas mãos dos portugueses garantirem” a “melhor forma possível” de responder ao aumento de casos de covid-19.

CDS crítica encerramento de discotecas

Quando questionado pelos jornalistas sobre as medidas adotadas pelo executivo de Costa o presidente do CDS-PP referiu que: “Não eram as medidas que esperávamos, nem nos parecem as medidas adequadas”. “O que verificamos é que o sector dos bares e discotecas  continua a ser o saco de pancada deste Governo e o bode expiatório desta pandemia”, sublinhou Francisco Rodrigues dos Santos.

“O Governo parece que estar a brincar com a vidas dos profissionais destes sectores porque a quatro dias do início dos eventos diz que afinal estão proibidos de acontecer e desses sectores de exercem as suas atividades quando neste período foram investindo e preparando-se logisticamente”, destacou o líder centrista, apontando ainda que os apoios destinados ao sector da diversão noturna não eram suficientes tendo em conta os “prejuízos avultados”.

BE destaca medida do partido

Pouco antes do anúncio das medidas a coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) dizia que as medidas de contenção tinham de corresponder “às necessidades de pressão do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

Depois de terem sido apresentadas as regras a aplicar Catarina Martins escolheu as redes sociais para se manifestar. “Registo que, no encerramento de creches e ATL, o governo aceitou a sugestão do Bloco de apoio às famílias. Falta saber de apoios relativos a outras medidas”, escreveu a representante do BE, acrescentado que estranha “que, reconhecendo a exaustão dos profissionais de saúde, não exista reforço das equipas de rastreio e vacinação”.

PCP quer reforço do SNS

“Há aqui um problema de considerar as medidas restritivas como questão fundamental e naturalmente consequências automáticas, o exemplo dos apoios sociais é um exemplo concreto. Nós vamos é ter de reforçar o Serviço Nacional de Saúde”, afirmou o líder do PCP, Jerónimo de Sousa.

Por sua vez, no dia anterior o comunista Bernardino Soares disse que para o PCP teria sido importante “reforçar o Serviço Nacional de Saúde, para garantir a sua capacidade de resposta – seja no plano hospitalar, dos cuidados primários ou da saúde pública, em particular no que concerne à contratação e estabilização dos vínculos dos profissionais”, explicou o comunista Bernardino Soares.

“Por outro lado torna-se imprescindível garantir o efetivo acesso à testagem gratuita, em todo o território nacional e em particular nas situações em que ela é mais premente, como são o caso de necessidades de visitas a familiares em lares ou internamentos hospitalares, ou nos contactos próximos com casos positivos”, salientou.

Bernardino Soares disse também que as medidas anunciadas pelo Governo “retomam uma opção por soluções restritivas com fortes prejuízos para os trabalhadores e muitas atividades económicas”.

Iniciativa Liberal diz que medidas não são razoáveis

Carla Castro, membro da comissão executiva da Iniciativa Liberal, começou por afirmar, a partir da Assembleia da República, que o partido pedia que não parassem “as nossas vidas”. “Não achamos as medidas razoáveis e pior do que tudo assistimos a uma conferência de imprensa onde os dados apresentados não são condizentes com as medidas apresentadas”, sublinhou

“Pior: o primeiro ministro disse claramente depois de apresentar dados sobre a não pressão do SNS, neste momento nem previsão de uma pressão significativa sobre o SNS e disse que é melhor prevenir” apontou Carla Castro, completando que “ciência não foi ao que assistimos”.

Nas redes sociais a Iniciativa Liberal renovou os apelos. “O governo está a fazer ciência política. As medidas são exageradas e descredibilizam a gestão que foi feita até agora e a confiança dos portugueses no que lhes é pedido”.

PAN com dúvidas sobre as medidas

“As medidas anunciadas pelo Governo levantam algumas dúvidas, nomeadamente no que diz respeito aos apoios sociais e a uma série de mecanismos, inclusive quanto à própria capacidade e controlo da testagem em todo o país, que não estão esclarecidos devidamente”, escreveu Inês de Sousa Real no Twitter.

A líder do PAN recordou que “desde o primeiro momento que o PAN alertou para a necessidade de reforçar a testagem e a rastreabilidade, para sermos capazes de debelar mais eficazmente este vírus. Apesar da época do ano que vivemos, não podemos esquecer-nos de acautelar a testagem e evitar contactos de risco”.

Chega quer “suplemento de apoio extraordinário”

André Ventura, presidente do Chega, defendeu que o Governo devia avançar imediatamente com um “suplemento de apoio extraordinário” para compensar os setores mais afetados pelas medidas de contenção, como é o caso das discotecas.

Ventura questionou-se igualmente sobre o motivo pelo qual são “estes setores penalizados em caso de aumento do número de infeções por covid-19, se os espaços já exigem teste para a sua entrada?”

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