Da Europa da liberdade à Europa prisão

Aos poucos, os frágeis laços da UE vão-se desfazendo, qual tapeçaria difusa e podre. Primeiro foram os muros construídos pela Espanha e pela Hungria para conter a vaga de imigrantes. Agora é a suspensão do acordo Schengen por parte da Alemanha que, depois de toda a boa vontade demonstrada em acolher uma quota importante destes […]


Notice: Undefined offset: 1 in /var/www/vhosts/jornaleconomico.pt/httpdocs/wp-includes/media.php on line 1031

Notice: Undefined offset: 2 in /var/www/vhosts/jornaleconomico.pt/httpdocs/wp-includes/media.php on line 1031

Aos poucos, os frágeis laços da UE vão-se desfazendo, qual tapeçaria difusa e podre. Primeiro foram os muros construídos pela Espanha e pela Hungria para conter a vaga de imigrantes. Agora é a suspensão do acordo Schengen por parte da Alemanha que, depois de toda a boa vontade demonstrada em acolher uma quota importante destes pobres desgraçados que condenámos à guerra nos seus próprios países, impõe o controlo nas suas fronteiras.

A primeira questão que se coloca não é da legitimidade da ação, que se encontra perfeitamente prevista na Convenção de Aplicação do Acordo Schengen, mas sim de terem ou não sido cumpridos os requisitos expressos no mesmo documento (artº 2º nº2 ) em que se afirma a necessidade imperiosa de consulta dos restantes membros que assinaram a Convenção.

Se bem que a consulta não seja vinculativa, era importante conhecerem-se as posições das restantes partes, sobretudo dos países do Sul da Europa que, perante este tampão germânico, ficarão mais uma vez com a criança nos braços.

É que se até ao momento países como a Grécia, a Itália, a Espanha em menor proporção e não tarda Portugal, têm vindo a ser, por força da sua localização  geográfica, os mais sobrecarregados com a logística imediata face aos fluxos migratórios, agora essa sobrecarga aumenta exponencialmente já que, fechadas as fronteiras, irão necessariamente permanecer nos países onde aportam.

Mas não atiremos pedras à Alemanha! A posição tomada vem na sequência da inércia, da inoperância, da perfeita falta de decisão política desta Europa que se limita em rondar em círculos sobre si mesma, multiplicando cimeiras e reuniões sem um único resultado prático.

Nem a Alemanha nem qualquer outro país europeu conseguirá absorver e incluir, todo este fluxo de pessoas. Esta é uma dura e politicamente incorreta realidade que há que ser assumida, sob pena de nos vermos a braços com campos de refugiados que mais não são que campos de concentração com outro nome!

A resolução do problema não passa apenas pela Europa. Passa sobretudo pelos países de origem de todos estes homens, mulheres e crianças que fogem, procurando sobreviver.
Mas voltemos ao controlo de fronteiras. A atitude da Alemanha implicará provavelmente que outros países lhe sigam o exemplo, incluindo Portugal. Ora o serviço que detém esta missão possui não mais de setecentos operacionais, dos quais cerca de 20% estão em lugares de secretária.

Ao longo dos anos, o SEF organizou o seu capital humano na disparidade abissal entre a força policial e as restantes. Mas mais grave ainda: ao nível policial inverteu a pirâmide, tendo criado uma estrutura em que, como é usual dizer-se: “Os chefes são muitos mas os índios são poucos”.
Caso se suspenda Schengen no território português esperemos que não o seja por muito tempo, pois de contrário e com alguma sorte, teremos efetivos suficientes para o controlo terrestre  de Ayamonte!

Manuela Niza Ribeiro
Presidente do Sindicato dos Funcionários do SEF e professora universitária

Recomendadas

Desistência ou insistência nacionais?

A distribuição de poder dentro do espaço que delimita um país tem sido central no estudo da organização humana e política do Homem.

Foco na capitalização das empresas ultrapassa o domínio fiscal

Apesar das medidas de incentivo à capitalização das empresas irem no caminho certo, os desafios só poderão ser superados através do uso de instrumentos mais “interventivos”, os quais por sua vez exigem mudanças da mentalidade empresarial em geral.

CSRD: mais siglas, mais regulação, mais sustentabilidade. Vamos passar à ação!

Uma das novidades é a consagração da verificação da informação por terceiros. Com o objetivo de evitar o ‘greenwashing’ e garantir que as organizações divulgam informações verdadeiras.