Da inovação ao ‘branding’, sector dos serviços partilhado viveu ano de ambição

Os gestores de serviços partilhados olham cada vez mais para o alinhamento com a cultura dos clientes para frisarem o valor da sua parceria, apontando ainda à IA e automação como prioridades.

A tendência de recurso a serviços partilhados e outsourcing já se vinha sentindo bastante antes da chegada da pandemia, mas a necessidade de limitar contactos levou a uma significativa aceleração na adoção de ferramentas digitais e de automação, aumentando a produtividade destes serviços e ajudando as organizações a estabilizar durante os períodos mais difíceis dos últimos dois anos. Assim, a palavra de ordem deste ano é ‘ambição’, caracteriza a Shared Services and Outsoucring Network (SSON).

Depois de lidar com restrições pandémicas há mais de dois anos, vários sectores passaram a incorporar nas suas operações ferramentas digitais e automáticas que “eram vistas como futurísticas” há alguns anos, aponta o relatório da SSON sobre o estado do sector em 2022. Tal permitiu, numa primeira fase, a manutenção das operações e, posteriormente, ganhos de produtividade para as empresas, que viram os processos de implementação de ferramentas colaborativas e automáticas acelerar substancialmente.

Mas não só as empresas que contratam estes serviços verificaram avanços consideráveis nos dois anos de pandemia: os próprios gestores de SSO reportaram, durante o período pandémico, que, além de terem conseguido manter o alcance das suas soluções, registaram ganhos de produtividade consideráveis e “rapidamente compreenderam quão imperativa era a digitalização e automação”.

Tal significou uma mudança de paradigma no sector. As preocupações com o alinhamento com a cultura e branding dos clientes tornou-se cada vez mais prementes, como forma de “apresentar os serviços partilhados não só como um parceiro de valor para uma empresa, mas também como uma opção profissional sólida”, refere o relatório da SSON, lembrando que uma em cada quatro SSO reporta este aspeto como uma prioridade.

Na mesma linha, a comunicação destes detalhes na operação dos SSO torna-se chave. Além do foco no lado da poupança de custos, uma das características que impulsionou, numa primeira fase, o recurso a estas soluções, os gestores de SSO procuram agora também projetar as suas competências em torno da experiência dos consumidores, inovação e resolução de problemas.

De acordo com o inquérito feito pela SSON aos gestores seus associados, 18% afirma privilegiar a ênfase no controlo de custos, uma percentagem próxima dos 15% que dizem focar-se mais na experiência proporcionada aos consumidores. De seguida, 13% dos gestores colocam o destaque na solução de problemas, nas parcerias empresariais e na inovação, com os conteúdos digitais a surgirem de seguida, com 12%.

Outro sinal dado aos clientes passa pelo naming das empresas, uma ferramenta cada vez mais utilizada para transmitir os ganhos projetados com SSO. O inquérito feito aos gestores do sector mostra 27% destes serviços a refletirem o termo ‘serviços partilhados’ na sua marca, enquanto 20% optou por ‘serviços empresariais globais’. 18% dos inquiridos refere ‘serviços/soluções inteligentes de negócio’ como a base da sua estratégia de naming, com 16% a apontarem para ‘soluções/serviços empresariais integrados’.

Uma tendência cada vez mais visível é a adoção do termo ‘global’, refere a SSON, de forma a “frisar o ponto que os serviços partilhados são um facilitador de negócios crítico e inteligente”.

Objetivos digitais e de automação
Olhando para o futuro, mais especificamente para o próximo ano, torna-se evidente pelas respostas dos inquiridos aos seus objetivos de médio-prazo a aposta no digital e na automação.

A principal meta apontada pelos gestores passa por digitalizar dados, um ponto de base crítico para qualquer estratégia digital ou de automação. Este é um objetivo apontado por 39% dos gestores que responderam ao estudo da SSON, sublinhando bem a necessidade de aposta nesta área.

Na mesma linha, a alavancagem de plataformas de automação é apontada por 37% dos inquiridos como prioritária, seguindo-se a reorientação dos modelos operacionais das empresas, opção que recolhe 36% das respostas. Acima de 30% surge mais uma prioridade, a alavancagem de soluções de inteligência artificial.

Fica bastante patente pelas respostas dadas pelos gestores de SSO que o foco será nas ferramentas digitais e de inovação, além da reconfiguração do modelo organizacional face às grandes alterações que se viveram na composição dos tecidos empresariais e nas preferências dos consumidores depois da pandemia. Na realidade, a cultura e branding das empresas e a redefinição do modelo híbrido de trabalho são os principais objetivos não ligados a tecnologias da informação a recolherem mais de 20% das respostas, o que espelha as alterações profundas que este sector tem vivido.

Recomendadas

Banco de Fomento lança consulta pública para dois novos Programas de co-investimento em PME

Estando ainda disponível o montante de 475 milhões de euros para lançar novos Programas, “o BPF convida as empresas e todos os interessados a participar na consulta pública acerca de futuras soluções de capital e quase capital, com o objetivo de obter contributos sobre as condições de dois Instrumentos Financeiros pré-estruturados destinados a fomentar a constituição de empresas e/ou capitalização empresarial”, revela o banco liderado por Ana Carvalho.

Premium“Somos a ótica das pessoas e que traz o know how francês”, diz CEO do grupo MonOpticien

Em entrevista ao JE, o CEO do grupo MonOpticien, Florent Carriére, explica o modelo de subscrição que traz para Portugal. “O meu concorrente não é a Multióticas, é a a Netflix e o Spotify”, sublinha.

Bancos da zona euro devolvem antecipadamente 447,5 mil milhões ao BCE

Este montante vem juntar-se aos quase 300 mil milhões de euros que foram reembolsados antecipadamente em 23 de novembro.
Comentários