Da Promessa à ação

Nós, que também vivemos de perto, à nossa dimensão, uma tragédia causada pelo fogo em Agosto de 2016, não podemos deixar de compreender o drama por que passaram, no continente.

Portugal Continental foi assolado, este Verão, por um número pouco habitual de incêndios que causaram mais de uma centena de mortos, bem como uma imensidão de área ardida, pessoas sem teto, empresas destruídas.

Nós, que também vivemos de perto, à nossa dimensão, uma tragédia causada pelo fogo em Agosto de 2016, não podemos deixar de compreender o drama por que passaram, no continente, todos os atingidos, direta ou indiretamente, e de nos solidarizarmos com quem viu a sua vida, de um momento para outro, sofrer um forte revés com a plena consciência de que, muito dificilmente, retomará o seu curso normal.

Em momentos de catástrofes desta dimensão, para além da solidariedade que a todos é devida, aquilo que se espera de quem exerce funções governativas, é a prontidão na avaliação do que se perdeu e o início imediato das ações que se tornam imperiosas no sentido de devolver a cada um, uma vida o mais próxima possível daquilo que era a sua situação anterior.

É justo, por isso, que se elogie a rapidez com que o Governo da República se empenhou em avaliar a situação, e em prometer disponibilizar os meios adequados – técnicos, humanos e financeiros – que permitam o início imediato da recuperação daquilo que foi destruído e um breve regresso à normalidade possível.

Mas se é de justiça registar essa prontidão, em parte “empurrada” pelo Senhor Presidente da República, não podemos deixar de recordar – e registar a diferença – a lentidão com que o Governo da República reagiu no caso dos incêndios da Madeira, mesmo depois de ter-se comprometido em financiar uma parcela do valor que, numa primeira fase, tinha sido calculado para recuperação do parque habitacional perdido.

Recorde-se que, em Maio deste ano, uma notícia dava conta que “a República já tinha dado 80 milhões”, o que obrigou o Governo Regional a repor a verdade dos factos, dando nota que o Estado apenas se tinha comprometido em apoiar com 15,6 milhões. O restante misturava financiamento comunitário através do PO-SEUR e do Fundo de Solidariedade, do saldo de gerência do Instituto de Segurança Social da Madeira, da Lei de Meios e de linhas de crédito.

Para bem de todos os que foram atingidos em Junho passado e agora em Outubro pelos terríveis incêndios em território continental, esperamos que o Conselho de Ministros Extraordinário do passado sábado, com todas as medidas anunciadas e todos os milhões prometidos, incluindo até a criação de uma Unidade de Missão para a gestão das florestas e a prevenção de incêndios, resultem, desta vez, numa ação realmente célere e sobretudo eficiente, não se repetindo o que aconteceu, na Madeira, após Agosto de 2016, com todas as promessas de ajuda, a maioria das quais ainda hoje se aguarda para ver concretizadas.

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