Daesh no top 10 dos produtores de petróleo da OPEP

Vendas no Mercado negro financiam terroristas. Quem compra?


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O autoproclamado Estado Islâmico produz tanto como o Qatar, o Equador e a Líbia juntos. O petróleo vendido no mercado negro a preços mais baixos é comprado por países respeitados. Parar este vergonhoso negócio equivaleria a atacar a raiz do problema.

As finanças do autoproclamado Estado Islâmico, Daesh, baseiam-se em grande medida no petróleo. Também há uma fatia considerável de receita que provém da venda de artefatos milenares e obras de arte, em muitos casos património da Humanidade, tráfico de seres humanos que pagam o que têm para encontrar o caminho da Europa, fugindo a uma morte quase certa, raptos de ricos sírios e ocidentais que ainda se aventuram no país.

Segundo um estudo do Centro de Análise do Terrorismo publicado pelo jornal francês L’Express, os ativos do Daesh deverão rondar os 2,2 mil milhões de dólares. Num ano apenas, a cobrança de impostos terá crescido de 600 milhões para 1000 milhões. O comércio de algodão no Norte da Síria, que o grupo também controla, dá um aporte ainda pequeno – 20 milhões, mas o potencial atinge os 100 milhões. As receitas do petróleo terão caído no último ano. Ainda assim, contribuirão com um encaixe superior a 600 milhões de euros.

Com o decorrer da guerra na Síria e o assalto a um Iraque esvaziado de poder depois das guerras com os EUA, o Daesh deitou a mão à riqueza dos dois países: o petróleo. As estimativas sobre o que produz são muitas e variadas.  Porém, se se considerarem os dados da produção de crude na Síria e no Iraque anteriores ao início do conflito neste primeiro país e sem esquecer que esse crude não se eclipsou (antes pelo contrário, contribui para engrossar a oferta mundial), o Daesh poderá estar a produzir qualquer coisa como 1,5 milhões a 2 milhões de barris diários, noticia o portal financeiro espanhol El Economista.

Javier Santacruz, economista e investigador na universidade inglesa de Essex, justifica: “Se comparararmos quanto produziam a Síria e o Iraque antes do conflito e quanto produzem agora, a diferença atinge estes valores”. E acrescenta: “Uma vez que a oferta não desapareceu do mercado, a probabilidade de que esteja nas mãos do Daesh é grande. O petróleo existe, só que mudou de mãos”. Só para se ter uma ideia de quão grandes são estes números, diremos que seriam suficientes para fazer do Daesh o nono estado no ranking da Organização de Países Produtores de Petróleo – OPEP.

A organização produzirá tanto crude como o Qatar, o Equador e a Líbia juntos. E quase tanto como Angola ou a Nigéria, que é o maior produtor de África. Numa análise sobre o tema, o portal espanhol lembra que a Bloomberg dava conta, no dia 13 de julho de 2014, que o barril de crude atingira, nos mercados internacionais, o máximo em nove meses, devido à instabilidade no Iraque: 106 dólares. Soube-se, nessa altura, que, quase sorrateiramente, um grupo de rebeldes auto-intitulado Exército Islâmico do Iraque e do Levante (autonomizado da Al-Qaeda) que engrossava a numerosa lista de opositores ao Presidente sírio Bashar al Assad, tomara de assalto a cidade de Kirkuk, local da segunda maior reserva de crude do Iraque. Esta organização tem hoje outro nome – Daesh – e já controla praticamente todos os campos de petróleo sírios. Em setembro último, terá tomado, segundo a norte-americana CBS, o último jazigo nas mãos da estado: Yezl, a noroeste da cidade de Palmira, onde recentemente fez explodir o principal templo romano. As imediações da região são abundantes em gás, localizando-se aí os principais campos de extração do produto.

A forma como o Daesh comercializa o petróleo não difere muito do funcionamento de uma grande petrolífera estatal. Os terroristas contratam especialistas do setor, engenheiros, trabalhadores qualificados, em troca de salários competitivos. Os traders estacionam os camiões em longas filas até que chegue a sua vez de encher o tanque. Compram o crude a 25, 30 dólares, vendendo-o depois a refinarias ou intermediários a preço de mercado.

Há muito tempo que há suspeitas de que entre os compradores de petróleo ao Daesh estejam multinacionais norte-americanas que operam na região. Não estarão sozinhas. Já no final de 2014, a embaixadora da UE no Iraque, Ana Hybaskova, afirmava no Le Huffington Post:“Malheureusement, des États membres de l’UE achètent ce pétrole”. (Infelizmente, Estados-membros da UE compram esse petróleo).  O eurodeputado de esquerda francês Jean-Luc Mélenchon, que foi ministro de Lionel Jospin (2000/02), tem travado  idêntica batalha. A 8 de setembro último, repetia a pergunta: “Quem compra o petróleo do Daesh?”. Na semana seguinte, questionava diretamente a Comissão Europeia: “A Europa compra petróleo ao Daesh?”.

Com a frieza que o carateriza, o Presidente russo Vladimir Putin ergueu o dedo contra esta hipocrisia e acusou, na última reunião do G 20, em Antalya, na Turquia. “O financiamento, como sabemos, provém de 40 países, entre os quais alguns são membros do G-20.” A alusão à Arábia Saudita e à Turquia, que paulatinamente viu passar, pelo seu território, milhares de combatentes estrangeiros a caminho da guerra santa na Síria, não pode ser mais direta. “As colunas dos camiões cisterna estendem-se por dezenas de quilómetros”, disse, exibindo imagens. Deixar de comprar este petróleo seria o mesmo que fechar a torneira do financiamento. Ir à raiz do problema. Porque não se faz isso?

Por Almerinda Romeira/OJE
Atentados de Paris mudam atitude do Ocidente na Síria

Quo vadis Europa?
Neutralizar o Daesh exigirá tropas no terreno
Daesh é uma ameaça real
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