Davidson Kempner vence corrida à carteira de crédito malparado do Novo Banco

O fundo norte-americano bateu o fundo Bain, conquistando a carteira no valor de três mil milhões de euros, avança a Bloomberg. O negócio deverá ficar concluído esta semana. Esta carteira inclui os créditos da Sogema, de Bernardo Moniz da Maia, e da Ongoing, de Nuno Vasconcellos.

A Davidson Kempner venceu a corrida à compra de crédito mal parado do Novo Banco, avança a agência Bloomberg esta quarta-feira, 4 de setembro. O fundo norte-americano bateu assim o fundo Bain nesta corrida.

A agência noticiosa cita fontes com conhecimento do negócio. A venda da carteira de malparado – com o nome de ‘Projeto Nata 2’ – deve ficar concluída esta semana.

A operação conhece assim um desfecho esta semana, depois dos dois fundos norte-americanos terem submetido as suas ofertas pelo ‘Nata 2’ em meados de julho.

Conforme revelou o Jornal Económico em maio, na lista de créditos incobráveis nesta carteira de malparado estão os créditos da Sogema, de Bernardo Moniz da Maia, e da Ongoing, de Nuno Vasconcellos.

O crédito malparado da Sogema tem o valor indicativo de 540 milhões de euros (o que incluirá juros) e os créditos da Ongoing, de Nuno Vasconcellos e Rafael Mora, têm o valor indicativo de 350 milhões de euros, a que acresce 240 milhões em papel comercial da holding que era dona do Diário Económico. Estes são os maiores devedores no portefólio de crédito malparado que o Novo Banco pôs à venda este ano.

O ‘Projeto Nata 2’ conta com 60 a 70 créditos de grandes devedores , dos quais apenas um terço tem colaterais e garantias reais (cerca de 1.000 milhões),enquanto os restantes financiamentos não apresentam quaisquer garantias (unsecured). Cerca de um quinto dos créditos são de empresas fora de Portugal, a maioria em Cabo Verde. A maioria dos créditos representa construção e imobiliário, como escreveu o Jornal Económico em março.

No início de agosto, o Novo Banco anunciou a venda de carteiras de crédito e de malparado por um valor de 795,8 milhões de euros.

Segundo o banco liderado por António Ramalho, a venda da carteira do ‘Projeto Setorius’ tem um valor bruto contabilístico de 487,8 milhões de euros, com a sua venda a representar um desconto de 67,4%, por 159 milhões de euros.

Já a carteira de ativos ‘Projeto Albatroz’ foi vendida à Waterfall Asset Management por 98,7 milhões de euros. Com um valor contabilístico de 308 milhões de euros, foi vendido com um desconto de 67,9%.

 

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