DBRS acredita que subida da receita dos juros ajudará os bancos a compensar as provisões para crédito

Os bancos deverão beneficiar da subida da margem financeira, mas o contexto económico adverso deverá levar a uma subida das provisões para crédito.

A DBRS Morningstar divulgou um comentário sobre as perspetivas para os bancos europeus em 2023 e nele antecipa uma perspetiva geralmente estável para as notações dos bancos europeus em 2023, apesar de uma série de desafios enfrentados pelos bancos.

Os bancos deverão beneficiar da subida da margem financeira, mas o contexto económico adverso deverá levar a uma subida das provisões para crédito.

No seu relatório intitulado “Perspetivas da Banca Europeia 2023: Taxas de juro mais elevadas ajudarão na navegação de economias mais fracas”, refere que “a evolução geopolítica deverá continuar em 2023, dada a guerra em curso na Ucrânia e o aumento das tensões entre os EUA e a China”. Sendo que “a inflação continua elevada apesar de alguns sinais de abrandamento”.

Neste contexto, a DBRS Morningstar considera que os níveis de provisões para crédito irão provavelmente aumentar ainda mais.

No entanto, DBRS Morningstar espera que a receita líquida de juros (NII) seja significativamente mais elevada nos bancos europeus em 2023 e que isso compense o aumento do risco de crédito decorrente de perspetivas económicas mais fracas.

“Já assistimos a um aumento material da margem financeira em jurisdições onde as taxas de juro aumentaram rapidamente no ano de 2022”.

“Com base na nossa amostra de bancos europeus, a margem financeira aumentou em média 8,3% no primeiro semestre de 2022 quando comprado com o fim do ano de 2021”, refere a DBRS.

Para além de taxas de juro mais elevadas, o crescimento da margem financeira na Zona Euro também refletiu recuperação da economia após os lockdowns (do Covid-19), com fortes volumes de novos empréstimos e um renascimento do turismo que desempenha um papel importante em vários países europeus, tais como Portugal, Espanha, Grécia e Itália.

De acordo com as estimativas da DBRS Morningstar, a margem financeira contribuiu com cerca de 59% para a receita operacional total em média no primeiro semestre de 2022. Isto inclui uma contribuição da margem financeira acima de 65% para a receita operacional total em Espanha, Irlanda, Holanda, Noruega e Suécia.

A DBRS lembrou que “algumas jurisdições europeias estão mais expostas a alterações nas taxas de juro devido à predominância de créditos à habitação indexados a taxas variáveis no balanço”, e a expectativa da agência de rating é de que o aumento rápido contínuo das taxas de juro a partir de meados de 2022 em todas as jurisdições da UE irá aumentar a pressão sobre os mutuários. No entanto, os níveis de NPL (non-performing loans) dos bancos ainda estão, no geral, baixos, realça.

O aumento das taxas de juro tem impacto não só no lado do rendimento, mas também no custo de financiamento dos bancos. O custo de depósitos irá aumentar mas a um ritmo geralmente mais lento do que o dos empréstimos, refere a agência de rating canadiana.

“Globalmente, os bancos europeus estão a entrar nesta fase atual tendo demonstrado resistência durante toda a pandemia”, defende Vitaline Yeterian, Vice-Presidente Sénior da DBRS Morningstar, especialista em Instituições Financeiras Globais. “A margem financeira é o principal contributo para as receitas dos bancos, e esperamos que o ambiente de taxas de juro mais elevadas conduza a uma receita de juros mais forte, ao mesmo tempo que a guerra na Ucrânia, uma inflação elevada e economias mais fracas podem impulsionar ainda mais as provisões para perdas na carteira de crédito. No entanto, esperamos que a maioria dos bancos europeus esteja bem posicionada para lidar com este ambiente operacional renovado e desafiante”, refere Yeterian.

A DBRS aborda ainda o tema dos LTRO (targeted longer-term refinancing operations) que foi o esquema usado pelo BCE para dar aos bancos da zona euro acesso a empréstimos baratos quando foi necessário avançar com estímulos monetários. O banco central disponibilizou grandes quantidades de dinheiro para os bancos privados através de créditos de três meses a três anos a taxas muito baixas.

Os bancos estão em processo de reembolso das operações de financiamento do BCE, TLTRO III, e os reembolsos finais ocorrerão em junho de 2023. “Não esperamos que os bancos enfrentem dificuldades de reembolso, pois os fundos foram em grande parte depositados no BCE. E esperamos que a receita da margem financeira mais alta, fruto de um ambiente de taxas de juros mais elevadas, compense a eliminação gradual do benefício TLTRO III”, conclui.

 

Recomendadas

MDS compra mediadora Pacific Insurance

A MDS comprou a Pacific Insurance e desta forma anexa 4 milhões de euros em prémios à sua carteira de seguros.

“Não vejo as fintech como uma grande ameaça à banca”. Veja a entrevista ao CEO da Nickel, Thomas Courtois

A Nickel quer abrir 2.500 balcões e alcançar 450 mil clientes em Portugal nos próximos cinco anos, mas o CEO da fintech francesa não se compromete a manter a anuidade de 20,80 para sempre. A crise na banca abriu a porta a novos players, mas coexistência é possível, diz em entrevista à JE TV.

Justiça suíça abre processo sobre fuga de informação no Credit Suisse

Em fevereiro de 2022 foram expostas mais de 18 mil contas do Credit Suisse que estarão ligadas a empresários sobre os quais recaem sanções ligadas à violação dos direitos humanos, e pessoas envolvidas em esquemas de fraude.
Comentários