DBRS não deteta sinais importantes de deterioração do custo do risco de crédito dos bancos europeus

Em Portugal os bancos abrangidos pela análise são a CGD e o BCP. O Custo do Risco (CdR) dos bancos europeus manteve-se baixo em média no primeiro semestre de 2022 e não mostrou sinais de deterioração no segundo trimestre, apesar da inflação elevada e da deterioração do ambiente económico global, salienta a agência.

A DBRS Morningstar emitiu uma análise ao Custo do Risco (CdR) de crédito dos bancos europeus, incluindo os portugueses, e concluiu que continuam a não mostrar sinais de deterioração segundo os dados do primeiro semestre deste ano.

O Custo do Risco — que corresponde ao rácio entre as novas imparidades para crédito (líquida de reversões) e o montante total de empréstimos (crédito bruto) — dos bancos europeus manteve-se baixo em média no primeiro semestre de 2022, e não mostrou sinais de deterioração no segundo trimestre, apesar da inflação elevada e das preocupações contínuas sobre a deterioração do ambiente económico global, salienta a agência canadiana.

Os níveis de CdR dos bancos europeus no primeiro semestre estavam em linha com a média do ano passado e, na maioria dos casos, semelhantes ou inferiores aos do ano de 2019, refere a DBRS. No entanto, em junho, e ao contrário do fim de 2021, a banca não foi particularmente apoiada por libertações significativas de provisões (o que aconteceu quando tinham constituído provisões para riscos genéricos relacionados com a Covid-19).

O aumento da inflação e os conflitos e os problemas da cadeia de abastecimento na Rússia/Ucrânia ainda não tiveram um impacto visível no CdR dos bancos europeus no segundo trimestre, constata a DBRS.

“Tínhamos esperado algum aumento no Custo do Risco a partir do primeiro trimestre, uma vez que os bancos continuaram a ajustar os seus modelos económicos à luz da incerteza económica e operacional em curso. No entanto, a maioria dos bancos continuou a reportar níveis mais baixos de CdR, tanto sequencialmente como em comparação com o ano de 2021, e na maioria dos casos até inferior a 2019, uma vez que os bancos utilizaram algumas das provisões significativas que tinham sido construídas durante a pandemia e que não tinham sido previamente libertadas”, refere a análise.

Tanto o Banco de Inglaterra como o Banco Central Europeu aumentaram as taxas de juro recentemente e indicaram a sua intenção de fazer novos aumentos durante o resto de 2022. O ambiente económico incerto, taxas de juro mais elevadas, inflação elevada e consequências da cadeia de abastecimento poderiam ser mais visíveis a longo prazo, rumo ao primeiro semestre de 2023, dado que existe um efeito desfasado entre estes fatores e aumentos nos créditos improdutivos (NPLs). No entanto, “consideramos que é menos provável que vejamos o mesmo aumento súbito nas provisões para perdas de crédito que no ano de 2020, uma vez que este foi impulsionado pelo encerramento das economias a nível mundial”, destaca a DBRS.

Este comentário centra-se no custo do risco (CdR) reportado por uma amostra de 34 bancos na Europa no primeiro semestre de 2022, incluindo bancos em França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha, Suécia, Noruega, Portugal, Dinamarca, Finlândia, Bélgica, Irlanda e Reino Unido.

Em Portugal os bancos abrangidos pela análise são a Caixa Geral de Depósitos e o Millennium BCP. Recorde-se que na comparação anual com junho de 2021, o BCP agravou o custo do risco, líquido de reversões de provisões, de 0,55% para 0,61%.

A DBRS diz que “metade dos bancos da nossa amostra reportaram níveis de CdR em junho 2022 acima da média de 20 pontos de base (p.b) para a amostra geral de bancos, e seis bancos relataram libertações de provisões. O Allied Irish Banks relatou a maior libertação de provisões para crédito e um CdR negativo de 109 p.b no primeiro semestre de 2022”.

“A CGD em Portugal reportou um CdR negativo de 63 p.b no primeiro semestre de 2022, comparado com 8 p.b em média no total do ano de 2021 e 35 p.b em 2020. Isto reflete uma combinação de libertações de provisões para Covid-19, uma redução do malparado (NPLs) e reversões de provisões associados a planos de poupança-reforma”, diz a DBRS.

Apenas oito bancos relataram níveis mais altos de CdR do que no ano de 2019. “É importante notar que o aumento no CdR médio dos bancos do Reino Unido no primeiro semestre de 2022 seguiu reversões líquidas significativas no ano fiscal de 2021 (efeito base)”, lê-se no documento.

A média de CdR para a amostra de bancos europeus foi de 30 pontos de base (p.b) no primeiro semestre de 2022, amplamente em linha com o reportado no período homólogo do ano anterior e mesmo com o reportado no final de 2021, embora significativamente abaixo dos 76 p.b reportados em 2020, e mesmo abaixo dos 35 p.b em 2019. Neste comentário, o CdR é calculado pela DBRS Morningstar com base na média simples das provisões para perdas em proporção ao total de empréstimos líquidos a clientes ao custo amortizado.

Em junho deste ano, os bancos em Itália e Espanha continuaram a apresentar a média mais alta de CdR entre a amostra de bancos, embora os níveis ainda fossem inferiores aos anteriores a 2019.

A média de CdR para os bancos da nossa amostra era de 57 p.b em Itália e 50 p.b em Espanha, o que está significativamente acima do resto dos bancos noutros países. No caso de Espanha, a média de CdR foi largamente influenciada pelo aumento das provisões do Santander para cobrir riscos no Brasil, depois de as taxas de juros subirem acentuadamente no primeiro semestre.

Em Itália, a média para os bancos da amostra foi influenciada por níveis mais altos de provisionamento nos maiores bancos (UniCredit e Intesa) para cobrir os ativos russos.

Embora os níveis do CdR nos bancos na Itália e na Espanha tenham sido mais altos no primeiro semestre de 2022, o CdR médio permaneceu abaixo do ano fiscal de 2019, onde os bancos relataram 69 p.b e 55 p.b em média, respetivamente.

A análise detalha que os bancos franceses tiveram, em média, 29 p.b de CdR no primeiro semestre de 2022, que, embora em linha com o ano de 2019, foi maior do que em 2021, pois os bancos também constituírem provisões para exposições relacionadas com a Rússia (offshore e onshore). Os bancos que estavam particularmente expostos a ativos russos e fizeram provisões no primeiro trimestre também fizeram novas provisões no segundo trimestre, embora o valor tenha sido menor sequencialmente. Como resultado, esses bancos não mostraram uma mudança significativa no CdR no primeiro semestre de 2022 em comparação com o ano fiscal de 2021.

No outro extremo do espectro estavam os bancos na Irlanda, Noruega e Bélgica (nossa amostra inclui apenas um banco em cada um desses dois últimos países) que reportaram em média libertações de provisão. No caso da Irlanda, esses bancos estavam entre os que fizeram provisões significativas no início da pandemia, mas à medida que as perspetivas económicas melhoraram em 2021, começaram a libertar provisões, que continuaram no primeiro trimestre de 2022.

Os bancos britânicos estavam também entre os que constituíram mais provisões em 2020, embora já tenham feito libertações significativas em 2021.

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