DBRS põe rating da CGD sob vigilância negativa

A nota da DBRS ocorre depois da demissão de António Domingues e de parte da administração que foi nomeada a 31 de agosto.

A agência DBRS Ratings Limited (DBRS) colocou hoje o rating da Caixa Geral de Depósitos e das suas subsidiárias sob Revisão com Implicações Negativas. A avaliação inclui o rating de dívida e depósitos de longo prazo de BBB (low), o rating de dívida e depósitos de Curto Prazo de R-2 (middle), o rating de Dívida Subordinada de BB (high) e o de BBB (low) / R-1 (low) das Critical Obligations rating (risco de default de obrigações que são chamadas a bail-in em primeiro lugar). Como parte da revisão, o rating intrínseco (IA) do Grupo, que é de BBB (low) também será reavaliado.

Aumento dos riscos em matéria de governo das sociedade, ao nível do plano de recapitalização, das dificuldades em melhorar a rentabilidade e a qualidade dos activos foram os motivos que levaram a DBRS a colocar o “rating” da Caixa Geral de Depósitos sob revisão com implicações negativas.

Em particular, a revisão considerará de que forma a recente demissão da maioria do conselho de administração, a 27 de novembro, afetará o plano de reestruturação do Grupo. Além disso, embora o Grupo tenha em curso um processo de recapitalização significativo, que reforçará o balanço do banco, o período de revisão considera os atrasos que estão a ocorrer neste processo e o risco de execução inerente ao plano. Como resultado, a DBRS espera que o Grupo CGD continue fracamente capitalizado por mais tempo do que o inicialmente previsto.

As classificações estão sob revisão com implicações negativas durante um períodoque poderá durar mais de 3 meses. Durante o período de revisão a DBRS irá focar-se no processo de recapitalização, incluindo a colocação de instrumentos de dívida subordinada para investidores privados, bem como questões de modelo de governance  e devolução da qualidade e rentabilidade dos ativos.

O Grupo encontra-se em processo de recapitalização com uma injecção do seu accionista único,  de até 2,7 mil milhões de euros, a transferência de 500 milhões de acções da ParCaixa e a conversão de 960 milhões de títulos convertíveis de capital contingente em acções da CGD. A transação é essencial para fortalecer o balanço do Grupo. Ainda como parte da recapitalização inicialmente acordada entre o Governo Português e a Comissão Europeia (CE), o Grupo deva emitir mil milhões de euros de instrumentos subordinados (obrigações subordinadas) destinadas a investidores privados.

A DBRS considera que a colocação bem-sucedida dos instrumentos subordinados no mercado é um desafio dada a actual volatilidade financeira global e o acesso muito limitado da CGD aos mercados financeiros. A recente demissão do conselho de administração, na opinião da DBRS, coloca novos desafios para o Grupo retomar a rentabilidade, reduzir os problemas de qualidade dos activos e melhorar a confiança dos investidores no Grupo CGD. Embora a DBRS entenda que o governo continuará a apoiar o Banco sempre que necessário, considera menos provável que esse apoio permaneça incondicional se o Grupo necessitar de reforçar ainda mais sua posição de capital no médio prazo.

A DBRS considera que continua a ser um desafio para a Caixa a retoma de uma rentabilidade sustentável devido à deterioração contínua da qualidade dos activos e ao ambiente operacional competitivo caracterizado por baixas taxas de juro, regulação crescente e lentas perspectivas de recuperação económica para Portugal. Esta conjuntura continua a levantar questões sobre a qualidade dos ativos (crédito) e a conduzir a elevadas provisões para riscos de crédito.

A CGD registou um prejuízo líquido atribuível de 189,3 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2016 o que compara com um resultado líquido atribuído de 3,4 milhões de euros nos nove meses do ano passado. O Grupo tem tido prejuízos anuais desde 2012, em grande parte como resultado da fraca geração de receita no mercado doméstico e das elevadas taxas de imparidade para crédito fruto da deterioração da qualidade dos activos. As receitas operacionais brutas (calculadas pela DBRS e incluindo as receitas das empresas associadas) diminuíram 26,5% em setembro em relação ao período homólogo do ano anterior e as imparidades de crédito totalizaram 407,4 milhões de euros também nos nove meses de 2016, isto é, aumentaram 14,3%. A qualidade dos activos deteriorou-se nos nos nove meses e o rácio de crédito em risco (CaR) fixou-se em 12,2% no final de Setembro de 2016, contra 11,5% no final de 2015.
A DBRS observa que as classificações da CGD continuam a reflectir a liderança de mercado em Portugal, onde o Grupo tem sólidas quotas de mercado: Cerca de 22% para créditos e 29% para depósitos de clientes, bem como um sólido perfil de financiamento do Grupo apoiado por uma base de clientes resiliente.

A agência de rating canadiana, a única que dá um rating de grau de investimento à República portuguesa e que como tal mantém o país na rota do programa de financiamento do BCE, diz também que um upgrade do rating do banco é altamente improvável no curto-médio prazo, porque implica um upgrade do rating soberano nacional, acompanhado por um caminho sólido e sustentado de rentabilidade, uma significativa redução do balanço e um reforço da actividade em Portugal.

 

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