De besta a bestial, um ano inesquecível que fecha uma década fabulosa em Wall Street

Uma década “bestial”, com o melhor e mais prolongado Bull market de sempre, após o S&P500 ter tocado no curioso nível de 666 pontos, um número associado à “besta”.

Brendan McDermid / Reuters

Seja qual for a perspectiva com que analisemos o desempenho dos mercados financeiros este ano, a ideia com que se fica é de algum espanto (para não dizer muito). Desde logo porque 2019 era no seu início um ano de inúmeras incertezas, que não foram sequer desvendadas, por exemplo no Brexit já sabemos que tudo aponta para que exista realmente a saída do Reino Unido da União europeia, contudo o mais importante nunca foi esse facto, mas sim a forma e as suas consequências, e nesse ponto continuamos tal e qual como há doze meses.

No caso da guerra comercial que opõe as duas maiores economias do mundo a situação agravou-se durante o ano, e se bem que está prevista a assinatura de um primeiro acordo, que deverá reduzir muito ligeiramente o conflito, o certo é que de novo, os pontos realmente importantes não foram resolvidos, o que estenderá este tema até pelo menos às eleições de 2020 nos EUA, algo que já tinha referido como sendo a estratégia primária de Trump.

Mas não obstante todas as incógnitas presentes ou o simples facto das empresas não estarem a aumentar os seus lucros em proporção racional com a subida no valor dos seus títulos, a questão continua a ser a mesma para a maioria dos analistas, não há alternativas de investimento. O que me faz lembrar o que se dizia na pré-crise do imobiliário em 2007 ou na pré-crise das dot.com em 1999, quando se ganhava dinheiro quase de olhos fechados, desde que se investisse na subida.

A diferença, talvez gigantesca, é que a bolha actual foi construída e está a ser mantida pelos bancos centrais, uma força de mercado que supostamente é a mais forte de todas, pelos simples facto de que hoje não estão amarrados às concepções do outrora, hoje têm as mãos livres para injectar o capital que quiserem no sistema, sem grandes restrições, veremos no entanto até quando essa invencibilidade será mantida, especialmente numa fase onde os activos estão num claro esticão ascendente, um dos indícios primários antes de rebentar uma bolha.

Ontem foi mais um dia de ganhos em Wall Street, com a notícia principal a ser o facto do Nasdaq ter ultrapassado os 9,000 pontos, beneficiando de uma subida dos títulos da Amazon após dados melhores que o previsto nas vendas online do corrente período festivo. Mas o índice tecnológico não foi o único a brilhar, todos os três principais índices norte-americanos terminaram em máximos históricos.

O S&P500, que fechou ontem nos 3,239 pontos, aproxima-se dos 30% de valorização em 2019, rivalizando assim com os 29,6% de subida atingidos em 2013, o melhor ano desde a crise financeira.

Período conturbado onde esteve em causa a sobrevivência do sistema económico e financeiro mundial, mas que acabou por ser a génese para uma década “bestial”, com o melhor e mais prolongado Bull market de sempre, após o S&P500 ter tocado no curioso nível de 666 pontos, um número associado à “besta” e o valor mais baixo atingido em 6 de Março de 2009.

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é mensal.
O principal índice accionista mundial ainda tem espaço para “correr” até aos 3,400 pontos antes de encontrar resistência na linha superior do canal ascendente de longo prazo (azul).
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