Deco alerta que novos identificadores da Via Verde são mais caros e não dão acesso a tudo

A Via Verde está a propor aos clientes que ainda têm identificadores comprados a mudança para um regime de subscrição. “Comprar novo identificador ainda é possível, mas fica mais caro e não dá acesso a estacionamentos nem carregamentos de carro elétrico”, alerta a Deco.

Via Verde (Mobilidade)

A Via Verde está a propor aos clientes que ainda têm identificadores comprados a mudança para um regime de subscrição. “Comprar novo identificador ainda é possível, mas fica mais caro e não dá acesso a estacionamentos nem carregamentos de carro elétrico”, alerta a Deco.

“A mensagem chegou a muitos utilizadores da Via Verde: o identificador não estará a registar corretamente as utilizações, logo, se não estiver mal colocado no vidro, tem de ser substituído”, começa por relatar a Deco Proteste.

Em quase todos os casos relatados à Deco, a chegada desta mensagem coincidiu com o acendimento pontual de luz amarela à passagem por uma portagem, seguida de outras passagens com luz verde.

“Noutros casos, há relatos de consumidores a quem nunca surgiu a luz amarela, mas, ainda, assim, receberam a mesma mensagem. E há ainda quem nem sequer tenha circulado com a viatura, mas tenha recebido igual mensagem. Em comum, todos tinham um identificador comprado à Via Verde há vários anos”, revela a Deco.

Em regra, a luz amarela é indicadora de que há problemas com o identificador da Via Verde, que podem dificultar a cobrança dos serviços prestados, sejam de portagem, estacionamento ou outros.

Além da eventual má colocação no vidro do veículo, a luz amarela acende também quando expira o cartão multibanco associado à conta Via Verde, obrigando à associação de novo meio de pagamento, explica a Deco que relata que “confirmando que nenhum destes problemas estava em causa, alguns consumidores ignoraram o teor da mensagem enviada pela Via Verde, mas muitos seguiram as instruções da missiva e trocaram o seu identificador por um novo”.

Ora nessa transação, deixaram de ser proprietários do identificador e passaram a ser subscritores de um pacote de serviços, que tem de ser pago em regime de mensalidade ou anuidade, explica a Deco.

A Via Verde encaminha para três ofertas de subscrição. O pacote Via Verde Autoestrada custa 5,75 euros por ano ou 49 cêntimos mensais e inclui apenas o acesso ao pagamento de portagens. O pacote Via Verde Mobilidade custa 11,50 euros por ano ou 99 cêntimos mensais e inclui aquilo a que os antigos identificadores comprados também davam acesso: portagens, estacionamento, abastecimento, carregamentos de carros elétricos, entre outros. O pacote Via Verde Mobilidade Leve dá acesso aos mesmos serviços que o Via Verde Mobilidade, mas só é cobrado nos meses em o serviço for efetivamente usado. Custa 1,25 euros em cada mês de utilização.

Comprar identificador Via Verde custa 35 euros
Só quando o utilizador continua a percorrer a página das ofertas, com olhar atento, é que encontra, numa única linha e muito mais discreta, a referência à possibilidade de compra de um novo identificador.

“Não há informação sobre o preço do aparelho, mas há a indicação de que este só está disponível para venda nas lojas da Via Verde e que apenas dá acesso ao pagamento de portagens”, avisa a Deco.

À Deco, a Via Verde esclareceu que o identificador está à venda por 35 euros, para clientes com extrato eletrónico. Se o cliente optar pelo extrato em papel, o preço do identificador é de 42 euros.

Se quiser mesmo comprar o identificador para não ficar vinculado a subscrições, o consumidor tem de se deslocar presencialmente a uma loja Via Verde.

A Deco critica o facto de a venda de identificadores não poder ser processada nos mesmo canais que o aluguer de identificadores. Porque diz que “constitui um entrave à aquisição do aparelho para quem não o pretende alugar”.

No início de 2022, a Via Verde tinha anunciado a intenção de descontinuar a venda de identificadores. Recuou, entretanto, na decisão, e manteve a possibilidade de aquisição, embora a um preço que não compete com o custo anual das subscrições.

Agora “se o consumidor quiser ser proprietário do seu identificador, paga um aparelho mais caro, mas perde os serviços que tinha anteriormente e apenas consegue pagar portagens”.

A Deco avança ainda que cerca de 100 mil clientes deixaram de ter identificador comprado.

“A Via Verde confirma à Deco Proteste que o número de proprietários de identificadores comprados desceu ao longo do ano 2022. Eram 1,7 milhões em janeiro de 2022. Em dezembro são 1,6 milhões. Ou seja, cerca de 100 mil clientes deixaram de ter identificador comprado no período compreendido entre janeiro e dezembro de 2022”.

Por seu turno, o número de subscritores tem vindo a subir, ainda segundo a mesma fonte. “Só no último trimestre do ano, a Via Verde angariou 80 mil novos clientes. De acordo com a empresa, metade destes clientes são novos, o que significa que os restantes 40 mil clientes terão transitado para esta modalidade de subscrição”

Ainda segundo a Via Verde, revela a Deco, “cerca de 90% dos clientes acabam por subscrever o pacote mais caro – Via Verde Mobilidade – que inclui o pagamento de portagens, estacionamentos e carregamentos de carros elétricos, entre outros serviços”.

A Deco mantém uma posição crítica “face à política comercial da Via Verde, que empurra os consumidores para uma versão de vinculação à empresa, por subscrição de serviços”.

“Apesar de ter acedido em manter a venda de identificadores, a Via Verde esvaziou o leque de serviços disponíveis nessa modalidade, limitou o acesso a sete lojas e agravou o custo unitário. Por consequência, a opção de compra do identificador deixa de ser vantajosa para os consumidores”, acusa a Deco.

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