Deco alerta que tarifa da água continua muito díspar entre concelhos

Vila do Conde tem a fatura da água mais cara e Foz Côa a mais barata. “As discrepâncias entre municípios dependem de vários fatores, como cláusulas contratuais entre as câmaras municipais e as concessionárias, o diferencial de custos e a comparticipação dos municípios na tarifa aplicada ao consumidor doméstico”, explica a Deco.

A Deco Proteste alerta que a tarifa da água continua muito díspar entre os concelhos portugueses. Os dados mais recentes do comparador revelam que, numa fatura mensal, considerando a totalidade da fatura, verifica-se que o valor mais elevado corresponde a 480,21 euros em Vila do Conde e o mais baixo de 88,20 euros em Vila Nova de Foz Côa. Recorde-se além do custo da água é também cobrado o serviço de saneamento e resíduos sólidos urbanos.

Para facilitar a comparação de tarifários entre concelhos, a Deco disponibiliza aos consumidores um comparador que permite conhecer os preços dos vários serviços cobrados na fatura da água, no município onde habitam e as regiões vizinhas.

O Top 5 das tarifas mais baixas é liderado pelo município Vila Flor, segue-se  Castro Daire, Terras de Bouro, Monchique e Vila Nova de Foz Côa.

E se compararmos, por exemplo, Cascais com Lisboa, verificamos que a fatura é muito mais alta no primeiro município. Com as tarifas de serviços de 2022, para um consumo de 120 metros cúbicos (m3) anuais, em Cascais a fatura é de 356,18 euros e em Lisboa, para o mesmo consumo é de 276,15 euros. Já para um consumo de 180 m3 anuais, a fatura a pagar em Cascais é de 448,322 euros e em Lisboa é de 372,89 euros.

“A disparidade de preços é notória nos vários serviços, sendo que a grande diferença do serviço de abastecimento de água para consumos anuais de 120 metros cúbicos de água encontra-se entre Vila do Conde (250,02 euros) e Terras do Bouro (46,50 euro)”, avança a Deco.

Além do valor do custo da água, na fatura mensal também é cobrado o serviço de saneamento. Aqui, o valor mais elevado corresponde a 186,89 euros em Póvoa de Lanhoso (Braga). Em três municípios do continente ainda não é cobrada esta tarifa.

“As discrepâncias entre municípios dependem de vários fatores, como cláusulas contratuais entre as câmaras municipais e as concessionárias, o diferencial de custos e a comparticipação dos municípios na tarifa aplicada ao consumidor doméstico”, explica a Deco.

A Deco defende que a “maioria das entidades responsáveis pelos serviços de água ou de saneamento não estão a reabilitar as condutas de água ou os coletores (vulgarmente esgotos) há décadas, necessitando de elevados investimentos. Estes custos não devem ser suportados na íntegra pelo consumidor”. No entanto, alerta, os custos resultantes das ineficiências dos sistemas, como as perdas de água ou avarias, não devem ser cobrados ao consumidor.

Estas conclusões aproximam-me das apresentadas em janeiro pela mesma entidade.

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