Défice da balança comercial aumenta 613 milhões de euros em termos homólogos

Os dados, referentes ao mês de outubro, foram divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística.

Bobby Yip/Reuters

O défice da balança comercial aumentou 613 milhões de euros em termos homólogos, segundo os dados divulgados esta segunda-feira, 11 de dezembro, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Para Filipe Garcia, as estatísticas do comércio internacional de bens voltam a mostrar que Portugal está com dificuldades em trilhar um caminho da sustentabilidade externa da sua economia.

O economista da IMF – Informação de Mercados Financeiros considera que o país volta a alargar o défice, após um período em que chegou a ter uma posição de quase equilíbrio na balança comercial de bens. “É tentador fazer uma leitura positiva da economia portuguesa tendo em conta a evolução mais recente, mas estes números demonstram que o modelo de crescimento não está assente no aumento das exportações líquidas (de bens)”, destaca Filipe Garcia, realçando o papel importante “mas não isolado” da evolução dos combustíveis.

Em outubro, as exportações e as importações de bens subiram, respetivamente, 11,8% e 21,4% (+5,7% e +8,5% em setembro). Assim, o défice da balança comercial de bens foi de 1 536 milhões de euros, o que representa um acréscimo de 613 milhões de euros face ao mês homólogo do ano passado.

“Excluindo os combustíveis e lubrificantes a balança comercial atingiu um saldo negativo de 1 066 milhões de euros, correspondente a um aumento de 409 milhões de euros em relação ao mesmo mês de 2016. No trimestre terminado em outubro de 2017, as exportações e as importações de bens aumentaram respetivamente 10,2% e 14,1% face ao período homólogo”, refere o relatório do INE.

De acordo com o organismo de estatística português, no trimestre que terminou em outubro, as exportações cresceram 10,2% e as importações aumentaram 14,1% face ao período homólogo, assinalando subidas de, respetivamente, 7,5% e 11,3%. “Mesmo com um nível de atividade económica acima da média [16 trimestres de crescimento contínuo do Produto Interno Bruto (PIB) em termos homólogos] e taxas de juro em mínimos históricos, o país não está a conseguir reduzir a dívida pública, nem em termos nominais nem em relação ao PIB”, conclui o especialista.

Em setembro, as exportações de bens aumentaram 5,8% face ao mesmo período de 2016 e as importações subiram 8,1%. Ambas registaram, nesse mês, um abrandamento do crescimento que tinham assinalado em agosto (13,9% e 12,1%, respetivamente). Já o défice nesse mês foi de 1 212 milhões de euros, tendo crescido 211 milhões de euros em termos homólogos.

Notícia atualizada às 13h22

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