Demissão de Marta Temido “releva necessidade de uma outra política na área da saúde”, diz PCP

Nova política para o SNS passa “pela valorização dos seus profissionais de saúde e pelo reforço da sua capacidade de resposta”, defendem os comunistas em comunicado.

O PCP diz que a demissão da ministra Marta Temido, apresentada esta madrugada, “releva a necessidade de uma outra política na área da saúde”, que passa, no Serviço Nacional de Saúde (SNS), “pela valorização dos seus profissionais de saúde e pelo reforço da sua capacidade de resposta”.

Em comunicado, os comunistas referem que, agora, “a questão que se coloca é se o Governo vai ou não avançar com as soluções para salvar o SNS. Se o Governo vai ou não avançar com a valorização das carreiras e das remunerações de todos os trabalhadores de saúde, se vai ou não avançar com um regime de dedicação exclusiva, se vai ou não avançar com os investimentos e a garantia de condições de trabalho para que os trabalhadores de saúde optem pelo SNS”.

“Estas são soluções fundamentais para assegurar o médico e enfermeiro de família a todos os utentes, assegurar a realização de consultas, de cirurgias, de tratamentos e de exames e para assegurar a prestação de cuidados de saúde com qualidade”, acrescenta, defendendo que o reforço do SNS não passa pela “opção política de privatização dos serviços de saúde, como aponta o Estatuto do SNS”.

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