Demissão de Temido não se deveu a morte de grávida, diz bastonário da Ordem dos Médicos

Miguel Guimarães especula que a ministra tenha apresentado a demissão “por não ter uma alternativa”, e espera que mudança de ministro signifique mudança de política.

Cristina Bernardo

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães diz não acreditar que a morte de uma grávida transferida do Hospital de Santa Maria tenha motivado a demissão de Marta Temido da pasta da Saúde por ser um caso “muito recente”.

A declaração foi feita à “CNN Portugal”. À “RTP”, Guimarães disse que, em termos práticos, “a ministra apresenta a demissão por não ter uma alternativa para resolver as questões que neste momento são conhecidas por todos e que estão a afetar a Saúde em Portugal, nomeadamente a nível do Serviço Nacional de Saúde”.

O bastonário asseverou que Marta Temido não é a única culpada do caos da Saúde e que condicionada pelas escolhas do Executivo, pelo que a “demissão não resolve” o problema. “Não é a mudança de ministro que garante mudança de políticas, mas esperamos que sim. Temos de ver quem é o sucessor. Mas existe um fio condutor no Governo que é este a que temos assistido” e que conduz aos “resultados que temos”, disse.

Em declarações à “Lusa”, o bastonário afirmou que, na sucessão, se pretende “um ministro que faça acontecer e que resolva os problemas que afetam a saúde em Portugal e que de uma forma transversal afetam todos os portugueses”.

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