Dense Air está a recrutar para operação em Portugal

Com um plano de recrutamento aberto, a Dense Air caminha para atingir o objetivo de iniciar operações comerciais em Portugal já em 2020.

Presidente executivo (CEO) da Dense Air, Paul Senior, (E) e o diretor-geral Tony Boyle (D) | Foto cedida

A Dense Air, a empresa de origem britânica que gerou uma intensificação das divergência entre NOS, Vodafone, Altice Portugal e a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), por deter parte do espectro necessário à implementação da quinta geração da rede móvel (5G), está a recrutar para dar continuidade à sua operação em Portugal.

De acordo com a conta de LinkedIn do diretor-geral da Dense Air em Portugal, Tony Boyle, a empresa de origem britânica tem vagas para as funções de gestor de vendas, gestor de operações e de responsável de engenharia.

Com um plano de recrutamento aberto, a Dense Air caminha para atingir o objetivo de iniciar operações comerciais já em 2020, tal como o Jornal Económico tinha noticiado em 17 de outubro. A tecnológica, cujo modelo de negócio assenta numa oferta de serviços de densificação (aumento) de cobertura de rede 4G e 5G em edifícios, pretende começar a operar comercialmente no próximo ano.

Estes serviços para reforço da rede são fornecidos através de uma pequena célula, vulgo box (caixa), que, instaladas em edifícios onde a cobertura móvel é fraca, poderá aumentar o sinal de rede para ser possível cobrir uma área de até 2 mil metros quadrados.

A Dense Air planeia também investir na cobertura de rede em áreas rurais, sobretudo em áreas onde o sinal de rede é fraco e o uso das “magic box” da empresa britânica poderá aumentar exponencialmente o sinal de rede.

Dense afirma-se no mercado nacional
A informação de que esta empresa está a preparar a sua operação comercial tem relevância, tendo em conta que a Dense Air foi motivo do acentuar de uma clivagem entre as principais empresas de telecomunicações (NOS, Altice e Vodafone) com a Anacom na segunda metade do ano. Tudo porque a Dense Air  detém um contrato de direito de utilização de frequências (DUF) de uma parte do espectro necessário para a implementação do 5G em Portugal.

Por responsabilizar a Anacom pelo propalado atraso no 5G e por considerar que o organismo liderado por João Cadete de Matos deveria ter retirado o DUF à Dense Air, a NOS e a Vodafone processaram o regulador das comunicações. Ambas as empresas argumentam que ao deter o DUF de parte do espectro do 5G, a empresa britânica revela-se uma operadora de telecomunicações que partirá em posição privilegiada aquando do lançamento comercial do 5G em Portugal.

A Dense Air, contudo, já veio a público afirmar não ser uma operadora nem querer fazer concorrência à NOS, Vodafone e Altice, frisando que o modelo de negócio da empresa reveste-se numa lógica B2B (isto é, vende serviços a empresas e não aos consumidores finais).

Mas apesar da pressão dos processos da NOS e da Vodafone, da posição do Governo e das sucessivas críticas da Altice Portugal, a Anacom permitiu que a Dense Air continue na posse do referido DUF até 2025, de acordo com as informações relativas à consulta pública sobre as condições para o desenvolvimento do 5G em Portugal, iniciada em 23 de outubro.

A Dense Air tinha apresentado uma proposta à Anacom de reconfiguração do espectro para poder manter o DUF, algo que o regulador aceitou. Mas a decisão não conformou as operadoras e a NOS e a Vodafone que já deixaram claro que não vão desistir do processo contra a Anacom.

A origem da Dense Air
A empresa hoje conhecida como Dense Air começou por ser um projeto lançado por uma equipa de especialistas em telecomunicações norte-americanos. Posteriormente foi adquirida pela sociedade japonesa SoftBank e, atualmente, integra o Airspan Group, que entrou em Portugal e em outros mercados, designadamente na Irlanda e na Bélgica e, fora da Europa, na Nova Zelandia e na Austrália. Em Portugal e na Irlanda detém a licença para a frequência de 3,6 Ghz operada nas bandas 42 e 43 de rádiofrequência. Em Portugal, a unidade da Dense Air é gerida por Tony Boyle que reporta ao presidente executivo, Paul Senior.

A Dense Air viu-se envolvida neste processo do 5G depois de ter adquirido a Broadband Portugal BBP em 2018, que detinha a licença DUF. Ou seja, não foi à Dense Air que a licença foi atribuída. A licença DUF detida pela empresa do SoftBank remonta a 2010. Em 5 agosto de 2010, por deliberação do conselho de administração da Anacom, à época presidido por José Amado da Silva, cujo vice-presidente era o atual secretário de Estado Adjunto e das Comunicações, Alberto Souto de Miranda, a empresa Bravesensor assegurou para si o DUF em causa para exploração de sistemas de Acesso de Banda Larga Via Rádio (BWA), por um valor a rondar os cem mil euros por ano, segundo contou fonte de mercado ao JE em setembro.

Mais tarde essa licença foi averbada para a Zappwimax – num documento assinado por Souto de Mirando. E é em 2016 que surge a Broadband BPP, sucedendo à Zappwimax, e que é posteriormente, adquirida pela Dense Air há mais de um ano. A licença de DUF em causa tem a duração de 15 anos. Isto é, a Dense Air controla a faixa entre os 3,4 Ghz e os 3,6 GHz até 5 de agosto de 2025 – altura em que, segundo o calendário europeu para o 5G, Portugal já deverá disponibilizar à generalidade da população a nova rede móvel.

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