Denúncias de abuso sexual de menores aumentam em 2021

Isolamento, ansiedade, falta de apetite e falta de atenção na escola são sinais de alerta para os pais e adultos que convivem de perto com crianças e jovens. O número de participações de violência doméstica a menores também cresceu face a 2020.

As denúncias de abuso sexual de crianças com idades compreendidas entre os 0 e os 13 anos diminuíram 12,5% em 2021 face ao período homólogo, de 144 para 126, segundo a Polícia de Segurança Pública (PSP). Contudo, as participações de abuso sexual de menores entre os 14 e os 16 sofreram um aumento, alinhando-se com as denúncias à Guarda Nacional Republicana (GNR), que registou um aumento de 19,3% (de 109, em 2020, para 130, em 2021).

Em resposta aos pedidos do Jornal Económico a propósito do Dia Mundial da Criança, que se celebra a 1 de junho, a PSP informa que os crimes de maus tratos ou sobrecarga de menores e de violência doméstica contra menores também aumentaram no ano de 2021, em comparação com o ano de 2020.

“No ano de 2020 foram registadas 179 denúncias de maus tratos ou sobrecarga de menores e 347 de violência doméstica contra menores, enquanto no ano de 2021 foram registadas 201 denúncias por maus tratos e 424 por violência doméstica”, divulga.

Já a GNR, na sua área de responsabilidade, registou mais 11 denúncias de maus tratos a menores de 16 anos (de 101 em 2020 para 120 em 2021), e menos três de relativas a outros crimes de maus tratos (diminuição de 18, no primeiro ano da pandemia, para 15, no ano passado).

A autoridade diz que este tipo de crimes são uma prioridade e que recebe denúncias sob diversas formas, que vão desde o contexto escolar, quando as entidades competentes têm conhecimento dos factos e efetuam a sua denúncia através das Secções de Prevenção Criminal e Policiamento Comunitário (SPC) e também através dos seus Postos Territoriais.

A PSP  apela “aos pais e aos adultos que tenham contacto mais próximo com crianças, para se manterem atentos a certos sinais que indiciem problemas no contexto de vivência, como isolamento, ansiedade, falta de apetite e falta de atenção na escola”.

“A promoção do diálogo com as crianças em casa e na escola e o incentivo a desabafar e a contar episódios menos positivos que possam ter ocorrido no seu dia constituem estratégias eficazes de deteção precoce da vitimização, maximizando a eficácia de intervenção subsequente”, acrescenta.

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