Depois da tempestade, a bonança. E agora?

Hoje, a Indústria Têxtil e do Vestuário garante emprego, permite a evolução profissional, utiliza meios tecnológicos muito sofisticados e tem níveis de remuneração muito interessantes.

A Indústria Têxtil e do Vestuário (ITV) atravessou nesta última década um notável processo de renovação e mudança, vendo-se impelida a fazer transformações profundas para poder fazer face aos novos desafios colocados por um ambiente global.

A têxtil portuguesa abandonou o antigo modelo baseado no preço e orientado para a massificação e afirma-se hoje como uma indústria de elevada qualidade e know-how, com uma produção sofisticada e onde a tecnologia, o design e a diferenciação aliadas a uma rápida capacidade de resposta, a posicionam internacionalmente como uma das grandes referências do seu setor.

Em 2018, as exportações portuguesas de têxtil e vestuário atingiram um “recorde absoluto”, aumentando 3% face ao ano anterior e somando 5.314 milhões de euros. O jornal “Le Monde” destacou esta espécie de “renaissance des industries traditionnelles portugaises” (1 de julho de 2017), que, depois de terem sido dadas como mortas, se viram metamorfoseadas em campeãs de exportação.

Hoje a ITV tem um conjunto de elementos muito atrativos: garante emprego (com direitos e estabilidade), permite a evolução profissional, utiliza meios tecnológicos muito sofisticados e tem níveis de remuneração muito interessantes.

O confronto de fatores “industriais” (mudanças estruturais contínuas na economia) e de fatores “ocupacionais” (mudanças que influenciam o padrão da procura de competências dentro do sector) apontam para uma “estabilização em decréscimo” do número de trabalhadores da ITV no nosso país; segundo o Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional – Cedefop (“Skills forecast – trends and challenges to 2030”) no caso concreto do sector “têxteis, vestuário e peles” o cenário para Portugal, entre 2016 e 2030, aponta para um nível de emprego que poderá variar entre – 1,5% e 0.

De facto, a indústria estabilizará num espaço de (muito) crescimento com (pelo menos) 100.000 trabalhadores, com perfis de especialização técnica mais elaborada; face ao atual inverno demográfico e à saída (esperada) dos trabalhadores mais velhos por acesso à reforma (muitos dos menos qualificados têm longos percursos contributivos e por isso acedem com bonificações antes da idade “legal”) o desafio da ITV passará pela premente necessidade de atrair jovens altamente qualificados, atores centrais dos processos de modernização tecnológica e crescimento do sector.

Aí sim, estará a alavanca de muitas das exigências dos eixos estratégicos apontados para 2025, nomeadamente na valorização dos recursos humanos, na melhoria da imagem e visibilidade do sector, bem como da atração e fomento do talento empreendedor.

A ITV está a passar por uma espécie de revolução silenciosa e que se revela no exigente confronto com a inevitabilidade das mudanças climáticas e demográficas, com foco na sustentabilidade, no Design for Recycling, no aumento da vida útil dos produtos e relevância da economia circular. Face a contextos tão exigentes quanto instáveis, a centralidade do investimento na formação e qualificação das pessoas será crucial.

O complexo processo demográfico que vivemos em Portugal (e na Europa) acentua a urgência da procura e descoberta de novos processos de atração e mobilização de candidatos à formação. Temos que assumir isto como um desígnio nacional, procurando implementar sistemas de orientação que apoiem os jovens e as suas famílias na crença e no valor das modalidades de formação profissional realizadas, em alternativa ao sistema de ensino regular.

A ITV é composta por cerca de 6 mil empresas e 138 mil trabalhadores.

Em termos de densidade empresarial, verifica-se a preponderância das sub-regiões do Ave, do Cávado, do Tâmega e Sousa, Beira e Serra da Estrela e Aveiro (ainda com relevância para a área metropolitana do Porto). Com uma disseminação tão marcada nestes territórios, a ITV poderá constituir um poderoso motor de desenvolvimento local e de sustentabilidade para as atuais e futuras gerações.

Este poderá ser o imperativo ético da missão das Indústrias Têxteis e Vestuário, atraindo e retendo jovens qualificados que necessitam de um forte apoio na sua integração nos mercados de trabalho, e incrementando opções para que trabalhadores mais velhos se mantenham economicamente ativos.

Poderá ser também este o mote para afirmar como é aliciante, prometedora e fashion a carreira e o emprego no panorama das indústrias Têxteis, Vestuário, Confeção e Lanifícios em Portugal.

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