Desafio do empreendedor: a busca de um espaço próprio, único, diferente e rentável

O tema é antigo, as respostas são várias: deve o empreendedor apenas “obedecer” às necessidades de consumo detectadas em estudos de mercado ou ter a perspicácia de as antecipar, rompendo com os hábitos tradicionais e provocando outros alternativos? Ou deve pura e simplesmente ocupar-se dos dois campos, criando soluções novas para coisas já existentes?

Sabe-se que cerca de 90% dos produtos lançados na Europa e 95% nos Estados Unidos da América conhecem um curto ciclo de vida, a grande maioria constituindo projectos falhados. Sabemos também que 76% de todos os novos produtos colocados no mercado nos últimos 10 anos, são meras imitações (me-toos) dos já existentes. Tudo isto torna pertinente a questão introdutória e deve apelar à nossa humildade na valorização dos poucos excelentes exemplos que se conhecem a nível global.

Ser capaz de, no momento apropriado, conceber um produto ou solução que vá de encontro à motivação dos clientes, coerente com o negócio e diferenciador face à concorrência é um trabalho árduo que necessita de um envolvimento total com o processo de criação, desde o primeiro momento. Antes de iniciar qualquer alteração é necessário estudar o produto e, sobretudo, o público-alvo a quem se destina. Posteriormente, consideram-se outros argumentos, como seja a análise do mercado, relação com a estratégia da marca, análise de produtos concorrentes, material promocional, etc… E é aqui que reside o problema, porque todo este trabalho de preparação ocorre com pouca frequência.

Condição de Partida: Atitude de Marketing

Para se ser bem-sucedido enquanto empreendedor, é imperioso ter atitude de marketing.

Trata-se de identificar quem tem uma postura próxima do mercado e sobretudo dos seus clientes, procurando insistentemente servi-los com as melhores soluções e criando mecanismos de persuasão com vista à sua fidelização, na busca do sucesso empresarial.

A capacidade de criação de valor para o cliente depende, antes de mais, da capacidade de se percepcionar o mercado. Esta consiste na aptidão para se compreender as actuais e as emergentes necessidades e vontades dos clientes, as capacidades da concorrência, ofertas e estratégias e as tendências tecnológicas, sociais e demográficas que estão a modelar o futuro do mercado e do cenário competitivo.

Numa era de informação digital, cabe ao empreendedor o papel da procura insistente, obsessiva e incessante da novidade, por entre a complexa teia de contradições a que correspondem os desígnios dos mercados.

Mas o marketing deve ser gerido. É nessa perspectiva que lhe cabe o papel de regulador e dinamizador da produtividade das vendas e o do aumento do valor percebido dos seus produtos, através da criação de uma base sustentada de fidelização de clientes. E isso faz-se através de pessoas.

Independentemente das organizações terem ou não uma Direcção de Marketing, há sempre um rosto por detrás das startups com forte atitude de marketing. São aqueles que entendem que a empresa não existe sem clientes; são os que se envolvem, percebendo a qualquer momento a dinâmica da performance da empresa face aos seus clientes e medindo, com mais ou menos grau de sofisticação, o seu grau de satisfação; por último, são aqueles que se concentram na expansão e crescimento da empresa, numa perspectiva estratégica e visionária, ao invés da procura desesperada do aumento do volume de negócios, na maior parte das vezes com custos completamente despropositados. Não é a publicidade que é cara ou os estudos de mercado que são inúteis; é o resultado que daí advém.

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