Exportações. Desafio será “consolidar esta tendência de crescimento”

As exportações pesam cada vez mais no PIB nacional, refere o administrador do grupo ETE Logística, mas para consolidar a tendência de crescimento e contornar os desafios de 2023 há que diversificar mercados, avisa.

Longe vão os tempos do business as usual. A dinâmica do comércio internacional tem-se transformado drasticamente, considera o administrador do grupo ETE Logística, Tiago Martins, e no âmbito das exportações o país tem dado passos “assinaláveis”, garante ainda. Mas apesar de vibrante, o sector enfrenta um 2023 carregado de desafios.

“Estamos a viver tempos diferentes”, começa por explicar Tiago Martins. “Temo-nos, todos, nos vários quadrantes da economia e sociedade, desde o início de 2020, adaptado a novas realidades que primam por alguma imprevisibilidade. Isso espelha-se naquilo que é o comportamento e dinâmica do comércio internacional, designadamente como afeta e afetou a economia portuguesa”, assegura.

A logística insere-se neste contexto “enquanto enabler e facilitador desse processo e dinâmica” do comércio internacional, refere Martins. E assistimos a isso desde logo na expressão que as exportações têm no Produto Interno Bruto (PIB). “Há uma transformação muito significativa da nossa economia e da estrutura do PIB, que como sabemos é o indicador que mede o crescimento e a saúde de uma economia”.

Apenas como referência, Tiago Martins recorda 2010, o ano pré-troika, em que “as exportações representavam cerca de 30% do nosso PIB”. Uns anos antes, em 1996, representavam sensivelmente a mesma coisa: 27%. Mas em 2021, diz, esse valor já tinha disparado para “cerca de 43%, e estima-se – palavradas proferidas pelo ministro da Economia e do Mar – que possamos chegar a 50% do PIB”, assinala o mesmo.

“Isto é uma mudança claramente disruptiva, muito assinalável, positiva e saudável – em muito pouco tempo”, destaca.

E a impulsionar esse crescimento estiveram sectores tipicamente tradicionais que souberam acompanhar o ritmo de transformação que lhes foi exigida: “O calçado, o têxtil, a cortiça… Foram sectores que tiveram que se reinventar e isso passou muito pela capacidade destas empresas, não obstante de serem PME, de se reinventar porque isso era a diferença entre a sua estagnação ou mesmo desaparecimento, ou a sua contínua evolução e o prosseguir da sua atividade”, sublinha. E as empresas na generalidade conseguiram fazer isso, garante, mas não sem dores de crescimento.

“Houve dores de crescimento, houve empresas que desapareceram, houve muitos non-performing loans (NPL) e o ‘fardo’ que os bancos também tiveram que suportar com algumas empresas que de facto não mostraram a liquidez e a saúde financeira para prosseguir a sua atividade”, recorda.

Ainda assim, se hoje é possível saltar de uma expressão das exportações de 30% para 50% do PIB “é sinal de que alguma coisa foi muito bem feita”, tanto pelas empresas como pelos parceiros, dos quais Tiago Martins destaca a AICEP.

Os temas impulsionadores do crescimento, como a inovação e sustentabilidade “deixaram de estar na agenda porque têm de estar implícitos já” e isso evidencia uma resiliência do tecido empresarial, que em Portugal não vinca pela dimensão. Quanto aos mercados, diz, há sinais de que, apesar de o bloco europeu continuar a ser o destino predileto, se começa a penetrar noutras geografias de grande expressão mundial como os Estados Unidos e o Canadá.

O gestor adianta ainda que há que ter cautela ao analisar os dados da balança comercial, já que a perspetiva de volume e a perspetiva de valor em muito variam. Por exemplo, face a 2010, em 2021 as exportações tiveram um ganho de volume de 26%, segundo o próprio. Mas em valor, esse ganho foi de 70%.

Os desafios para o futuro prendem-se sobretudo com a urgência de “consolidar esta tendência de crescimento”.

“Os desafios de 2023 são grandes. Vamos ter um conjunto de desafios e incertezas. Não só a questão da inflação, como a incerteza sobre o continuar ou não do aumento dos preços das matérias-primas, que afetam necessariamente a competitividade da generalidade das empresas”, diz, sem esquecer o risco de recessão. “A estratégia tem que ser inevitavelmente a diversificação de mercados.”

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