Desflorestação na Amazónia brasileira bate recorde em outubro e ultrapassa ano de 2021

A desflorestação na Amazónia brasileira atingiu 904 quilómetros quadrados em outubro, um recorde para este mês do ano, segundo dados oficiais divulgados hoje.

O sistema de observação por satélite DETER, utilizado desde 2015, detetou um aumento de 3% na área desflorestada na maior floresta tropical do planeta em comparação com outubro de 2021.

Os dados foram recolhidos pelo Instituto Nacional de Investigação Espacial (INPE).

Em apenas dez meses, 2022 é já o pior ano desta série estatística de desflorestação na Amazónia, com 9.494 quilómetros quadrados de vegetação varrida do mapa, batendo o recorde de 9.178 quilómetros quadrados para todo o ano de 2021.

A organização não-governamental WWF Brasil salientou numa declaração que o desmatamento e os incêndios tinham “explodido” na Amazónia desde o resultado das eleições presidenciais.

Em 30 de outubro, Jair Bolsonaro, acusado por ambientalistas de promover a destruição da Amazónia, foi derrotado pelo ex-presidente de esquerda (2003-2010) Luiz Inácio Lula da Silva, que se comprometeu a lutar pela desflorestação zero.

“O aumento da desflorestação em outubro era esperado, mas os dados preliminares dos primeiros dias de novembro são assustadores, é uma verdadeira corrida à devastação” antes da mudança de Governo, lamenta a WWF.

Sob a presidência de Jair Bolsonaro, a desflorestação média anual aumentou 75% em comparação com a década anterior.

O Presidente eleito, que iniciará o seu terceiro mandato em 01 de janeiro, confirmou na quinta-feira que iria viajar no início da próxima semana para a COP27, no Egito, onde poderia anunciar as primeiras orientações da sua política ambiental.

“O novo Governo terá muito trabalho a fazer para colocar o país de novo no bom caminho, para pôr fim à perceção de que a Amazónia é uma terra sem lei”, frisou a organização não-governamental.

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