Desflorestação na Amazónia cai pela primeira vez no Governo de Bolsonaro

A Amazónia brasileira perdeu 11.568 km2 de cobertura vegetal entre agosto de 2021 e julho de 2022, menos 11,3% que a devastada no ano anterior. É a primeira redução do desmatamento desde que Jair Bolsonaro chegou ao poder.

Projecto de longa duração de Lalo de Almeida/Panos Pictures para Folha de São Paulo. A floresta amazónica enfrenta grandes ameaças à medida que a desflorestação, a mineração, o desenvolvimento de infraestruturas e a exploração de recursos naturais ganham maior peso nas políticas ambientalmente regressivas do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro. Desde 2019 que a devastação da Amazónia brasileira ocorre ao ritmo mais rápido da última década. A Amazónia é um ecossistema de enorme biodiversidade, sendo também a casa de 350 grupos de indígenas. A exploração do “pulmão” do planeta tem impactos sociais diversos, em particular ao nível das comunidades indígenas, que se debatem contra a destruição do seu meio ambiente e estilo de vida.

A Amazónia brasileira perdeu 11.568 km2 de cobertura vegetal entre agosto de 2021 e julho de 2022, menos 11,3% que a devastada no ano anterior, sendo a primeira redução do desmatamento desde que Jair Bolsonaro chegou ao poder.

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Investigação Espacial (INPE), a desflorestação no último ano foi a segunda maior dos últimos 14 anos, só ultrapassada pela do período 2020-2021 (13.038 quilómetros quadrados).

Os dados divulgados são do Projeto de Monitorização da Desflorestação da Amazónia por Satélite (Prodes), uma ferramenta que mede a devastação anual através da análise de imagens de satélite.

De acordo com cálculos do Observatório do Clima, uma rede que reúne vários grupos ambientais, incluindo os internacionais como o Greenpeace e o WWF, a desflorestação média durante o período de quatro anos de Bolsonaro foi de 11.396 quilómetros quadrados por ano, um salto de 59,5% em relação aos quatro anos anteriores.

Apesar da redução no último ano, as taxas de desflorestação continuam muito elevadas, especialmente numa altura em que os cientistas advertem que a destruição da Amazónia está a atingir um ponto de não retorno.

Os ambientalistas atribuem a crescente devastação da maior floresta tropical do mundo à retórica anti-ambientalista do líder brasileiro, que desmantelou agências de fiscalização, flexibilizou a legislação e defendeu a exploração económica da Amazónia, mesmo nas reservas indígenas.

A desflorestação caiu de uma média de 21.617 quilómetros por ano no primeiro Governo de Lula (2003-2006), quando o líder progressista começou a adotar medidas de proteção ambiental, para 5.473 quilómetros por ano no primeiro mandato de Dilma Rousseff (2011-2014), mas cresceu na administração de Michel Temer (2016-2018) e disparou no de Bolsonaro.

O Observatório do Clima disse que as críticas da comunidade internacional à gestão de Bolsonaro na Amazónia forçaram o INPE a adiar até hoje a publicação do relatório, que estava pronto antes do início da conferência climática COP-27, que terminou a 20 de novembro no Egito.

O secretário executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, advertiu que os dados divulgados hoje não têm em conta a desflorestação dos últimos cinco meses do mandato de Bolsonaro, em que se registam taxas recorde de devastação.

“Os números mais recentes indicam que a exploração madeireira continua a sair de controlo”, disse.

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