O desporto na era global

Os media vieram maximizar a importância do desporto na sociedade atual, contribuindo decisivamente para a mistificação dos melhores atletas. Os grandes feitos estão cada vez mais acessíveis a todos. Os grandes ídolos são reconhecidos em qualquer continente.

Nenhum país ou sociedade podem, hoje em dia, passar à margem deste fenómeno tão rico como é o desporto. Ele está presente nas escolas desde as mais tenras idades até ao patamar universitário. Depois de adultos, é-nos proposto outro tipo de atividades físicas. A terceira idade passou também a ser um alvo prioritário para o incremento da atividade desportiva. Muitos países elegem o desporto como a sua principal força de afirmação no contexto internacional. As grandes competições fazem parar toda a sociedade.

Neste cenário o desporto precisou de se posicionar perante a sociedade fazendo valer os seus argumentos como elementos de atração. Se pensarmos bem, estamos perante uma indústria de entretenimento onde a televisão, o cinema, a música, o teatro ou a internet “lutam” pela atenção de cada indivíduo. O “meio” onde é que as pessoas vão investir o seu tempo de lazer é, claramente, o objeto de disputa entre estas áreas. Se conseguirmos que as pessoas gastem o seu tempo connosco provavelmente conseguiremos também que gastem connosco o seu dinheiro.

Numa sociedade tão mediatizada, o desporto também não passa ao lado desta realidade, bem pelo contrário. A maior parte de nós saberá o nome do treinador da equipa de futebol do Manchester United. Poucos saberão o nome do ministro da Defesa do Reino Unido. Bjon Borg foi um dos maiores tenistas de sempre. Olof Palm foi um dos chefes de Governo mais progressistas de sempre. Tirando o facto dos dois serem suecos pouco mais têm em comum estes dois líderes. Um é imediatamente reconhecido por todos, o outro não. Os media vieram maximizar a importância do desporto na sociedade atual, contribuindo decisivamente para a mistificação dos melhores atletas. Os grandes feitos estão cada vez mais acessíveis a todos. Os grandes ídolos são reconhecidos em qualquer continente.

Todos os dias sentimos a pressão que a globalização exerce sobre nós nas mais variadas atividades rotineiras. Ora, o desporto também não escapa a esta verdade absoluta. A crescente industrialização do negócio do desporto induziu ao novo conceito dos eventos desportivos globais. O maior de todos, os Jogos Olímpicos, arrastou consigo várias modalidades que foram capazes de produzir megaeventos, onde o palco era tão-só… o mundo. Os campeonatos mundiais de futebol, a fórmula 1, o rally Dakar, o circuito ATP de ténis, a volta a França em bicicleta, o circuito PGA de golfe, o circuito mundial de voleibol de praia e tantos outros reduziram a nada as distâncias entre países. Deixou de ser estranho competir na mesma semana em Moscovo e no Rio de Janeiro. As distâncias pouco valem no esforço de fazer cada vez mais e de chegar a mais e mais pessoas, perdão… consumidores.

As marcas de equipamentos desportivos não perderam esta fabulosa oportunidade. O desenvolvimento técnico de aparelhos, calçado e têxtil atingiu níveis de perfeição e especificidade nunca antes imaginados. Precisa de umas sapatilhas para correr em estrada quando esta está molhada? Dirija-se à loja de desporto mais próxima. O difícil será escolher o modelo certo perante tantas opções disponíveis. Mais do que a especificidade, as marcas desportivas exploraram uma verdadeira mina de ouro: a roupa e o calçado desportivo passaram a ser moda. Basta visitar uma escola e verificar de entre os alunos os que calçam material desportivo e os que optam pelo dito sapato tradicional.

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