Destruição Criativa do Futuro

Quando em 1989 o realizador Robert Zemeckis lançou o filme Regresso ao Futuro 2 ele estaria longe de imaginar que o dia 21 de Outubro de 2015, a data para a qual os protagonistas do filme viajam no tempo desde 1985, se tornaria um motivo de celebração global, com eventos, festas e inúmeros artigos. Lembro-me […]

Quando em 1989 o realizador Robert Zemeckis lançou o filme Regresso ao Futuro 2 ele estaria longe de imaginar que o dia 21 de Outubro de 2015, a data para a qual os protagonistas do filme viajam no tempo desde 1985, se tornaria um motivo de celebração global, com eventos, festas e inúmeros artigos.

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que vi o filme já em 1990, em VHS, com 9 anos e de ter ficado fascinado com as “cenas” que representavam o futuro em 2015, os carros voadores, o casaco inteligente que se auto-secava ou as sapatilhas que se ajustavam automaticamente! O filme tem o mérito de ter feito um exercício de especulação a 26 anos, e de ter posto a minha geração a sonhar com um futuro optimista.

Muito se tem sido escrito e dito sobre o que o filme conseguiu prever correctamente e o que ficou mais aquém. Eu gostava de fazer um exercício de retro-futurismo e concentrar a minha atenção em alguns aspectos que ainda não vi discutidos, em particular nos pontos que foram menos bem conseguidos.

Prever o futuro é sempre difícil ou impossível, e quase sempre são raciocínios lineares, aqueles que derivam da extrapolação linear dos desenvolvimentos actuais. Por isso deixo aqui um conjunto de 5 corolários.

 

  1. Segundo a Teoria do Caos é impossível prever o futuro com exactidão.

No filme ficou conhecida a cena em que o personagem Doc Brown esperava que a chuva terminasse com uma exactidão de segundos e comenta com o personagem principal Marty McFly que é pena que os serviços postais não sejam tão eficientes como a previsão meteorológica. Ora, apesar de o poder computacional e dados acessível aos meteorologistas ser hoje seis ordens de grandeza superior do que era no final da década de 1980 não estamos nem sequer próximos de ter previsões meteorológicas com esta fiabilidade. E provavelmente continuará  a ser muito difícil porque a natureza do clima é caótica e portanto impossível de prever com exactidão.

 

  1. Desafiar as leis da Física – Uma ilusão?

A Mattel ainda não faz hoverboards, os famosos skates flutuantes que não precisam de rodas, e apesar das tentativas, os modelos existentes só funcionam em cima de folhas de metal planas, portanto é muito improvável que no horizonte temporal do filme, i.e. os próximos 30 anos, surjam tecnologias que desafiem as leis da física desta forma. Ou seja o hoverboard e os mecanismos de anti-gravidade não estão para breve.

 

  1. Tecnologias disruptivas não pertencem aos incunbentes

Em uma das cenas do filme, o Martin McFly do futuro interage com um colega e com o supervisor da empresa onde trabalha através de uma central de videochamada doméstica da companhia de telecomunicações AT&T, o segundo maior operador de telecomunicações dos EUA. Ora acontece que hoje em dia, as empresas que dominam as tecnologias de video-chamada são os operadores over-the-top, isto é os operadores 2.0 da internet, como o Skype, Google, Vidyo, Polycom, e não os operadores de telecomunicações tradicionais que se transformaram em larga medida em dumb-pipes que é como quem diz canos estúpidos, ou seja, no filme não se previu a popularização e evolução da Internet. Este processo de inovação disruptiva é explicado no livro “Innovator’s Dilema” de Clayton Christensen, publicado em 1997. É por isso provável que as novidades aplicacionais de 2041 sejam criadas por empresas que ainda não existem.

 

  1. O interface será pessoal

Na cena anterior da video-chamada, esta é recebida no conforto e (suposta) privacidade da sala de estar. A recepção da video-chamada é tratada como se um telefone doméstico se tratasse, uma situação que mesmo hoje em dia é cada vez menos comum nas nossas casas devido ao advento dos telemóveis, que tornaram a experiência de chamada um acto pessoal. Além disso também a experiência de video-chamada doméstica é muito diferente e assente em dispositivos pessoais, por exemplo o computador pessoal.

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